Economia

Petrobras e Vale limitam perda do Ibovespa a 0,21%, aos 113.663,13 pontos

Da Redação ·

Frustrada a expectativa de que os chefes diplomáticos de Rússia e Ucrânia pudessem dar, sob mediação da Turquia, algum passo em direção a cessar-fogo, a aversão global a risco voltou a estimular a demanda por dólar e a punir os mercados acionários, da Europa aos Estados Unidos e Brasil, nesta quinta-feira, 10. Em Frankfurt, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a projeção de PIB e ampliou a de inflação para 2022, sinalizando que os estímulos monetários na zona do euro precisarão ser retirados de forma célere para se contrapor aos efeitos da explosão das commodities, em particular do custo da energia. Ao comentar a perspectiva para a Europa, o Goldman Sachs aponta que "os mercados parecem precificar um grande choque de estagflação".

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Aqui, em dia de anúncio de aumentos de dois dígitos para gasolina (18,7%), diesel (24,9%) e gás de cozinha (16%) pela Petrobras, as ações da estatal (ON +2,80%, PN +3,50%) estiveram, com Vale (ON +3,30%, na máxima do dia no fechamento), entre os componentes da carteira Ibovespa que conseguiram se descolar do sentimento negativo. "Apesar dos percentuais de reajuste impressionarem, ainda deixam os preços praticados pela Petrobras no mercado doméstico para gasolina e diesel, respectivamente, 18% e 9% abaixo de seus custos de importação", observa em nota Homero Azevedo Guizzo, economista da Terra Investimentos.

Ainda assim, para o UBS BB, a decisão da Petrobras de elevar os preços dos combustíveis em momento de pressão sobre as cotações internacionais mostra a sólida governança da empresa e confirma a política de preços livres, apesar dos ruídos dos últimos dias com relação a eventual interferência do governo na gestão da companhia. Foi o primeiro aumento dos preços em refinaria em quase dois meses.

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Com o suporte proporcionado por Petrobras e Vale na sessão, o índice de referência da B3 fechou em leve baixa de 0,21%, aos 113.663,13 pontos, entre mínima de 111.888,81 e máxima de 113.939,00, saindo de abertura aos 113.900,34 pontos. Mais fraco do que nas sessões anteriores, o giro ficou em R$ 34,0 bilhões. Na semana, o Ibovespa cede 0,71% e, no mês, ainda sobe 0,46% - no ano, avança 8,43%.

O choque de oferta produzido pela invasão russa à Ucrânia pegou a economia global num momento de inflação em alta e de políticas monetárias "super expansionistas", o que força uma reação mais rápida do que o normal dos bancos centrais, avalia o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale. Diante da escalada nas cotações das commodities, ele já cogita a possibilidade de os juros subirem no Brasil acima da taxa de 12,75% prevista, por enquanto, pelo grupo até o fim do ano.

Para o Credit Suisse, a invasão da Ucrânia pela Rússia agrava gargalos na cadeia produtiva, um quadro que tende a intensificar as pressões inflacionárias nos Estados Unidos nos próximos meses. Assim, após leitura de 7,9% em 12 meses até fevereiro - o maior nível desde janeiro de 1982 - para o índice de preços ao consumidor (CPI), divulgada hoje, atenção redobrada do mercado para a reunião de política monetária do Federal Reserve nas próximas terça e quarta-feira, os mesmos dias em que, aqui, o Copom estará reunido para deliberar sobre a Selic.

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Lá fora, "os investidores temem que a guerra na Ucrânia possa levar a uma inflação mais alta por muito mais tempo", observa em nota Edward Moya, analista da OANDA em Nova York. "O relatório de inflação de hoje (nos EUA, de fevereiro) mostrou pressões generalizadas de preços antes (mesmo) do impacto total do choque global da invasão russa na Ucrânia. Os custos de energia, commodities leves e metais continuarão a sofrer pressão ascendente - e isso começará a crescer à medida que os salários abrandarem", acrescenta.

No Brasil, mais para o fim da tarde, o dólar perdeu boa parte do fôlego, ficando perto de zerar os ganhos do dia frente ao real, com a leitura de que o formato em que foi aprovado o projeto sobre combustíveis no Senado contribui para reduzir as incertezas fiscais - com o ajuste no câmbio, o Ibovespa levou um pouco adiante a redução das perdas do dia. Ao final, o dólar à vista mostrava leve alta de 0,11%, a R$ 5,0160, entre mínima de R$ 5,0110 e máxima de R$ 5,0760 na sessão.

Na ponta positiva do Ibovespa, destaque nesta quinta-feira para Gerdau PN (+4,61%, na máxima do dia no fechamento), Qualicorp (+4,18%), Petrobras PN (+3,50%) e Vale (ON +3,30%, também no pico do dia). Na face oposta, Embraer (-14,93%), Natura (-9,30%) e Banco Inter (-7,12%).

*com Eduardo Laguna e Marcia Furlan