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OCDE alerta para forte desaceleração global se conflito no Oriente Médio se prolongar

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A economia global deve desacelerar de forma significativa neste ano, à medida que os custos mais altos de energia enfraquecem o consumo e o investimento das empresas. O quadro, porém, pode se deteriorar muito caso o conflito no Oriente Médio se estenda até 2027, alertou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em relatório trimestral sobre as perspectivas globais, a entidade sediada em Paris afirmou que o PIB mundial deve crescer 2,8% em 2026, caso a produção de energia no Golfo Pérsico comece a se recuperar ainda neste mês e o tráfego pelo Estreito de Ormuz volte ao normal. Isso representaria uma desaceleração acentuada em relação à expansão de 3,4% registrada no ano passado.

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No entanto, um acordo de paz segue distante. Os EUA e o Irã trocaram ataques intensos na terça-feira, em um dos confrontos mais fortes em meses, enquanto os esforços diplomáticos permanecem travados.

Segundo a OCDE, se a interrupção na produção de energia e no transporte marítimo se prolongar por boa parte do próximo ano, o crescimento global poderá cair para 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027.

Se esse cenário se concretizar, 2027 seria o ano de crescimento mais fraco deste século, com exceção de 2020, quando a pandemia de covid-19 atingiu a economia, e de 2009, durante a crise financeira global.

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O economista-chefe da OCDE, Stefano Scarpetta, afirmou que um cenário tão severo não é o mais provável, mas ajuda a dimensionar o custo potencial para a economia global caso a resolução do conflito demore a se concretizar.

"Este é um choque muito ruim, que duraria bastante tempo", afirmou. "Esperamos que não seja assim. A duração importa muito para as consequências econômicas e sociais."

Nesse cenário prolongado, partes da Ásia estariam entre as mais afetadas. Grande parte da energia que normalmente transita pelo Estreito de Ormuz segue para portos asiáticos. Japão e Coreia do Sul, entre outros, mantêm grandes reservas de petróleo, o que tem limitado até agora o impacto econômico do fechamento do estreito.

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Isso mudaria caso a interrupção se tornasse duradoura. Mas o impacto não ficaria restrito aos países mais dependentes do Golfo para o abastecimento energético.

"Muitas economias na Ásia provavelmente seriam fortemente afetadas, refletindo sua dependência relativamente elevada de insumos energéticos das economias do Golfo. No entanto, inflação mais alta, escassez, condições financeiras mais apertadas e confiança mais fraca também devem enfraquecer significativamente o crescimento na Europa e na América do Norte", afirmou a OCDE.

Ainda assim, os maiores danos recairiam sobre países mais pobres, altamente dependentes de importações de energia e que utilizam fertilizantes agrícolas que dependem de produtos químicos fabricados no Golfo.

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"As consequências seriam globais, mas poderiam ser especialmente severas para economias em desenvolvimento com reservas de energia limitadas, maior peso de energia e alimentos no consumo das famílias, capacidade fiscal restrita e redes de proteção social frágeis, baixa poupança privada e moedas mais vulneráveis", disse Scarpetta.

A OCDE avaliou que a desaceleração poderia ser intensa o suficiente para levar várias economias à recessão.

Se o conflito for mais curto, a OCDE mantém a projeção de crescimento de 2% para a economia dos EUA neste ano, acima da zona do euro (0,8%) e do Japão (0,6%). A entidade elevou levemente a estimativa de crescimento da China para 4,5%, ante 4,4% em março.

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A OCDE também alertou que uma interrupção prolongada no fornecimento do Golfo, que provocasse nova alta dos custos de energia, provavelmente reduziria o investimento em inteligência artificial, que tem sido um dos principais motores do crescimento nos EUA.

A entidade observou que a energia responde por 60% dos custos de data centers, enquanto a fabricação de semicondutores requer hélio - e um terço da oferta mundial desse gás vem do Golfo. Além disso, energia mais cara na Ásia afetaria a produção de equipamentos essenciais.

"A produção de hardware que sustenta sistemas de IA é altamente intensiva em eletricidade, refletindo as demandas energéticas da litografia avançada, das operações em salas limpas e dos sistemas de resfriamento", disse a OCDE.

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Enquanto a duração do conflito permanecer relativamente curta, a OCDE avalia que a maioria dos bancos centrais não precisa elevar as taxas básicas de juros. A entidade projeta que a inflação nas economias do G-20 suba para 4% neste ano, ante 3,4% em 2025, mas recue para 3,1% no próximo ano.

Por outro lado, se o conflito se prolongar, a OCDE espera inflação de 4,4% no G-20 neste ano e de 4,7% em 2027. Em resposta, bancos centrais provavelmente elevariam suas taxas básicas entre 0,5 e 0,75 ponto porcentual.

A OCDE afirmou ainda que bancos centrais que vêm reduzindo seus estoques de títulos adquiridos em programas de afrouxamento quantitativo (quantitative easing, ou QE) talvez tenham de suspender esse processo e, possivelmente, até retomar o QE para acalmar os mercados de títulos. Fonte: Dow Jones Newswires.

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*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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