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Na contramão do exterior, dólar sobe 0,67% com temor fiscal após fala de Haddad

O aumento da percepção de risco fiscal voltou a tomar conta do mercado de câmbio doméstico na tarde desta segunda-feira, 30. Na contramão da onda de enfraquecimento global da moeda norte-americana, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,67%, cotado a

Antonio Perez (via Agência Estado)

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Escrito por Antonio Perez (via Agência Estado)
Publicado em 30.10.2023, 17:54:00 Editado em 30.10.2023, 17:58:46
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O aumento da percepção de risco fiscal voltou a tomar conta do mercado de câmbio doméstico na tarde desta segunda-feira, 30. Na contramão da onda de enfraquecimento global da moeda norte-americana, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,67%, cotado a R$ 5,0469, com máxima a R$ 5,0597. Com isso, a divisa passou a acumular leve valorização (0,40%) em outubro.

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Pela manhã, o dólar até ensaiou uma queda firme e desceu até a mínima de R$ 4,9730, em meio a apetite por divisas emergentes e valorização das cotações do minério de ferro na China.

A virada se deu no início da tarde à medida que investidores assimilavam declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a política fiscal. Na sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo "dificilmente chegará à meta zero", uma vez que não se pretende "fazer cortes em investimentos e obras" - o que foi visto como um abandono implícito do objetivo estabelecido no novo arcabouço fiscal, além de sinal de desprestígio de Haddad no Planalto.

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Operadores notaram uma pressão maior compradora no mercado futuro à tarde, com investidores acelerando a rolagem de posições na véspera da formação da última Ptax de novembro. O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, ressalta que as incertezas no campo fiscal aumentaram a demanda por proteção (hedge), em semana mais curta, em razão do feriado de 1º de novembro, e marcada pela "super quarta", com decisão de política monetária aqui e nos Estados Unidos.

"É uma semana extremamente curta e carregada. E a fala de Haddad hoje, em vez de tranquilizar, trouxe ainda mais dúvidas. Está todo mundo atento ao movimento da cúpula do governo com receio de que a meta fiscal não seja para valer", afirma Galhardo, para quem os investidores, em um primeiro momento, até deram o benefício da dúvida ao governo na questão do arcabouço fiscal e da reforma tributária.

Após reunião com Lula, Haddad disse que não há, por parte do presidente, "nenhum descompromisso com a meta fiscal". O ministro alertou para perdas de arrecadação por conta de decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso. Haddad disse que o presidente "constatou problemas de decisões anteriores que devem ser reformadas ou saneadas", e esse foi o "sentido do alerta de Lula sobre a meta fiscal de 2024".

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Indagado se a meta de déficit zero em 2024 está em pé, Haddad disse: "A 'minha meta' está mantida".

Segundo analistas, as falas e a postura de Haddad, que se mostrou irritado com questionamentos de jornalistas, decepcionaram. Havia expectativa de que o ministro pudesse reafirmar de forma categórica a busca pela meta de déficit zero e alegar que Lula havia sido mal interpretado em suas declarações na sexta-feira. A leitura é a de que Haddad está perdendo a queda de braço com a ala política do Planalto, o que coloca em risco os planos da equipe econômica.

"Haddad tentou acalmar o mercado após o estresse com as declarações de Lula na sexta-feira, mas não teve sucesso. Haddad reafirmou o compromisso fiscal do governo, mas não a meta zero para 2024", afirma o operador Gabriel Mota, da Manchester Investimentos. "Vimos câmbio e juros para cima hoje em razão do cenário local. É uma questão muito mais interna, ligada à política fiscal".

No exterior, o índice DXY - que mede o comportamento do dólar frente a seis divisas fortes - operou em queda firme e flertou com o rompimento da linha dos 106,000 pontos na mínima (106,063 pontos). O dólar também caiu na comparação com a maioria das divisa emergentes e de países exportadores de commodities. Apesar do início da invasão terrestre da Faixa de Gaza por tropas israelenses, não houve um agravamento das tensões geopolíticas na região, com possível entrada de novos atores diretamente no conflito. As cotações do petróleo desabaram, com o contrato do Brent para janeiro fechando em queda de 3,19%, a US$ 86,35 o barril.

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