Economia

Mercado externo tranquilo estimula alta na Bolsa

Da Redação ·

O tom positivo dos mercados de ações no exterior estimula o Ibovespa a ir em busca de um terceiro pregão consecutivo de valorização. Além disso, a alta do petróleo e o noticiário a favor da Petrobras impulsionam os papéis da empresa para cima. Em contrapartida, as ações ligadas ao setor de commodities metálicas cedem, devolvendo ganhos recentes, a despeito da elevação de 0,41%, a US$ 190,51 a tonelada, no porto chinês de Qingdao hoje. O investidor ainda adota alguma cautela já que na segunda-feira as bolsas americanas ficam fechadas por causa do feriado do Memorial Day.

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Um dos amparos da busca por risco nos mercados vem da expectativa de um possível orçamento de US$ 6 trilhões para 2022, a ser proposto pelo presidente norte-americano, Joe Biden, o que levaria o país aos maiores níveis sustentados de gastos federais desde a Segunda Guerra Mundial.

A despeito dessa expectativa, investidores mundo afora seguem atentos ao comportamento da inflação global, como reforça o comportamento de elevação dos títulos americanos, à medida que as economias dão sinais de retomada depois da crise mais aguda da covid-19 em algumas nações.

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Na zona do euro, por exemplo, a confiança de empresários e de consumidores subiu em maio, alcançando os maiores níveis pré-pandemia pelo segundo mês consecutivo, além de ter superado as estimativas de analistas. Em contrapartida, o PIB da França do primeiro trimestre foi revisado de alta de 0,4% para recuo de 0,1%, reforçando que o processo de recuperação mundial ainda não é uniforme.

Nos Estados Unidos, nesta manhã, saiu o PCE de abril, medida de inflação usada como referência pelo Federal Reserve (Fed, o banco central do país), que subiu 0,6% ante março. Os gastos com consumo no país subiram 0,5% em abril ante março, ficando em linha com o esperado. Já a renda pessoal sofreu um tombo de 13,1% no mesmo período, mas ficou acima da projeção do mercado, de queda de 14%.

"Veio um pouco pior que o esperado, mas nada demais. Veio pior, mas melhor do que o temido", avalia o CEO da Ohmresearch, Roberto Attuch Jr., acrescentando que essa ideia afasta por ora o temor de uma inflação descontrolada e de antecipação da alta do juro nos EUA.

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A despeito da indefinição do Ibovespa, o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, ainda acredita que o índice brasileiro pode seguir o tom positivo externo. Segundo ele, os dados de inflação dos EUA, de certa forma dentro do imaginado, dão certa tranquilidade. "Deixa o mercado livre para seguir seu rumo, seguir o cenário externo, olhando para o Orçamento de 2022. Os dados ainda não mostram uma grande explosão do quadro de inflação, e que o Fed está certo sobre a avaliação de uma ideia de inflação transitória", avalia.

No Brasil, a despeito das continuadas revisões para cima nas estimativas para o crescimento econômico, a inflação não dá trégua, o que pode esfriar um pouco o otimismo de determinados setores na Bolsa, já que tende a reforçar o debate sobre alta do juro básico.

Informado hoje, o Índice Geral de Preços (IGP-M) acelerou fortemente em maio, a 4,10%, de 1,51% em abril, conforme a Fundação Getulio Vargas (FGV), superando a mediana da pesquisa do Projeções Broadcast, de 4,00% (de 3,06% a 4,65%). No ano, o indicador alcançou 14,39% e avançou a 37,04% em 12 meses, de 32,02% até abril. Essa taxa é a maior do Plano Real, superando o acumulado de 32,97% de abril de 2003.

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Na opinião do economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, a inflação tem características típicas de um choque de oferta e o IPA, que mede os preços no atacado, deixa isso claro. A alta do grupo este mês foi de 5,23% e acumula em 12 meses "estonteantes" 50,21%, cita em nota.

"Os Bancos Centrais de todo mundo enfrentam problemas similares nesta pandemia com a inflação e a maioria deles continua argumentando que estes são choques transitórios. Logo, não faria sentido subir fortemente a taxa de juros agora", avalia Perfeito. Para completar, o quadro hídrico no Brasil preocupa, o que pode gerar algum desconforto no mercado.

Além da valorização do petróleo no exterior, as ações da Petrobras podem se beneficiam da informação de que o JP Morgan elevou a recomendação dos papéis da empresa. Além disso, fica no radar o início do julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da legalidade da venda das refinarias.

Às 10h47, o Ibovespa subia 0,03%, aos 124.409,01 pontos, após máxima aos 124.530,60 pontos, e mínima aos 124.284 pontos. Petrobras subia 2,47% (PN) e 2,85% (ON) e Vale ON caía 1,05%, enquanto CSN ON cedia 2,29% às 10h49.