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    Maior rede privada de hospitais do País, Rede D’Or chega à B3 valendo R$ 112 bi

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 09.12.2020, 07:50:00 Editado em 09.12.2020, 07:55:37
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    Criada do zero pelo cardiologista Jorge Moll Filho, a Rede DOr, maior grupo de hospitais privados do País, concluiu ontem sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), a terceira maior da história da Bolsa brasileira, atrás apenas de Santander Brasil e BB Seguridade. A operação movimentou R$ 11,39 bilhões e a companhia estreia amanhã na B3 já entre as dez mais valiosas da Bolsa, com um valor de mercado de quase R$ 112,5 bilhões.

    A ação da empresa foi precificada em R$ 57,92, um pouco acima do centro da faixa indicativa de preço. A ideia inicial do grupo era fazer o IPO em junho. Mas a pandemia da covid-19, que colocou o setor da saúde no epicentro da crise, obrigou a companhia a postergar o plano para que 100% do foco se voltasse à administração do negócio.

    A demanda pelas ações foi alta, com as principais gestoras do País fazendo aportes, apurou o Estadão. Dos estrangeiros, entraram a americana Capital Group, além do fundo de um dos investidores mais conhecidos do mundo, George Soros. O caixa da companhia receberá uma injeção de R$ 8,44 bilhões, dinheiro que será direcionado para mais aquisições. O restante, ou R$ 2,95 bilhões, vai para o bolso dos acionistas vendedores: os fundos Carlyle, o fundo soberano de Cingapura (GIC) e o BTG Pactual. A família não vendeu nenhuma ação.

    Trajetória

    Jorge Moll Filho começou a construir o conglomerado há cerca de 30 anos, mas sua trajetória como médico-empreendedor teve início antes, em 1977, quando inaugurou o Grupo Labs. A primeira unidade, Cardiolab, atuava na área de diagnósticos médicos. Moll Filho vendeu a empresa em 2010 para o Grupo Fleury, em uma operação de R$ 1,19 bilhão. Capitalizado, passou a comprar hospitais em cidades como Rio, São Paulo, São José dos Campos Brasília e Recife, começando a dar tração ao seu atual império hospitalar.

    Perto de completar 75 anos, Jorge Moll Filho é pai de cinco filhos: Jorge, Renata, André, Pedro e Paulo. Os três mais velhos são também médicos e trabalham na empresa. O primogênito, Jorge, visto como "gênio da família", por exemplo, conduz o Instituto de Pesquisa Rede DOr, entidade que ajudou a fundar.

    Mas foram os dois mais novos que passaram a cuidar da gestão da companhia. Administrador de empresas, Pedro faz parte do conselho de administração, enquanto o caçula Paulo, economista pelo Ibmec Rio, assumiu no início do ano a presidência do grupo.

    Aos 39 anos, e desde os 20 na empresa, Paulo substituiu Heráclito Brito, que estava no posto desde 2013, quando Jorge Moll Filho deixou a presidência executiva e passou a comandar o conselho de administração. O filho mais novo, que ocupava a vice-presidência executiva do grupo, passou por um processo preparatório para a troca de bastão por cerca de quatro anos.

    À frente agora da gigante da saúde, Paulo tem a meta de dobrar o tamanho do grupo em cinco anos, conforme o que foi apresentado a investidores no roadshow, que é a reunião para apresentação da companhia antes do IPO, apurou o Estadão. A missão colocada na mesa é adicionar aos 8,5 mil leitos já existentes, 5,2 mil de forma orgânica e outros 5 mil via aquisição, segundo fontes.

    "Não conseguir realizar todas as aquisições é hoje o principal risco do grupo. O negócio tem pouca relação com ambiente macroeconômico", disse um gestor, que investiu no IPO e que participou das reuniões.

    As aquisições, contudo, não são novidade para a companhia. Ao todo, foram 37. A Rede DOr possui 51 hospitais próprios, um sob administração, além de 32 projetos de hospitais em desenvolvimento, licenciamento ou construção, distribuídos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Maranhão, Paraná e Ceará e no Distrito Federal. Fora isso, opera em paralelo a maior rede de clínicas oncológicas do Brasil, atualmente com 39 unidades. Isso sem contar as clínicas de análise. Uma das primeiras aquisições de Jorge, na verdade, foi a de um ecocardiograma, em que vendeu um Fusca para bancar a compra.

    Até 2010, antes da entrada do BTG Pactual como sócio, todo o dinheiro do negócio era reinvestido. Até ali, afirmam fontes, Jorge tinha um apartamento. Depois de receber mais dois sócios (Carlyle, um dos maiores fundos de private equity do mundo, e o fundo soberano de Cingapura), após a mudança da legislação que permitiu investimento estrangeiro no setor, em 2015, o médico está hoje na lista Forbes entre os mais ricos do País.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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