Economia

Juros voltam aos ajustes no fim do dia após engatarem queda durante a sessão

Denise Abarca (via Agência Estado) · GoogleNews

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Os juros futuros fecharam a sessão perto da estabilidade, em dia de agenda e noticiários esvaziados no Brasil. Chegaram até embalar um movimento de baixa entre o fim da manhã e o meio da tarde, durante os melhores momentos de Wall Street e de mínimas do dólar, mas na última hora de negócios zeraram a queda e voltaram aos ajustes da quinta-feira. Do mesmo modo, os níveis de inclinação pouco se alteraram no balanço da semana, que foi marcada pela ata do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), pelo IPCA-15 de maio acima do consenso e aprovação do projeto que fixa limite de 17% para a cobrança de ICMS de energia, combustíveis, telecomunicações e transportes, na Câmara.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 13,33%, de 13,35% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2024 passou de 12,80% para 12,795%. O DI para janeiro de 2025 teve uma alta moderada, definida no momento dos ajustes, encerrando com taxa de 12,13%, de 12,079%. A do DI para janeiro de 2027 terminou em 11,93%, de 11,909%.

O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, lembra que, além da agenda local sem destaques, os dados nos Estados Unidos nesta sexta vieram relativamente dentro do esperado, endossando a mensagem da ata do Federal Reserve. "O Fed não parece estar convencido da necessidade de levar o juro para acima do neutro", comentou. Foram divulgados pela manhã os dados de renda e gastos com consumo, e do índice de preços (PCE, em inglês), cujo núcleo ficou em linha com o esperado.

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No Banco Original, os economistas Marco Caruso e Eduardo Vilarim destacam, na avaliação da semana, a redução no juro futuro nos EUA, que abriu espaço para alívio interessante nos prêmios da ponta longa da curva local. "A Treasury de 10 anos, por exemplo, abriu o mês próxima a 3,00% e flerta com o 2,70% hoje", afirmam.

Segundo os profissionais, o recuo vem essencialmente da inflação implícita na curva, que cede em todos os vértices até o vencimento de 30 anos. "O movimento fica mais interessante se considerarmos que a maioria das commodities acumulam alta em maio, com exceção das metálicas", dizem.

Na ponta curta do DI, a dinâmica deve ficar limitada enquanto não houver novidades sobre o fim do ciclo de aperto da Selic. "A curva já tem uma precificação agressiva de que o BC não vai conseguir encerrar em junho, então a parte curta fica engessada", afirma Rostagno.

Segundo ele, a precificação está bem ajustada para alta de 50 pontos no Copom de junho, enquanto para o Copom de agosto a curva projeta 32 pontos-base e 8 pontos em setembro, com Selic terminal de 13,64%.