Economia

Juros voltam a subir com pressão externa dos Treasuries e alta do dólar

Da Redação ·

Os juros futuros fecharam o dia em alta, com exceção dos de curtíssimo prazo que ficaram estáveis. As taxas locais acompanharam a nova escalada dos retornos dos Treasuries longos e o avanço do dólar, com o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) emitindo mais sinais de postura agressiva no combate à inflação. No Brasil, a informação de que já a partir de 16 de abril entrará em vigor a bandeira tarifária verde de energia aliviou a curva na primeira parte do dia, mas o efeito depois se esvaiu com o mercado voltando suas expectativas ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, que será divulgado na sexta-feira.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou estável ante o ajuste de quarta-feira, em 12,75%, e a do DI para janeiro de 2024 subiu de 12,01% para 12,155%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa a 11,53%, de 11,44% na véspera, e o DI para janeiro de 2027, com taxa de 11,30%, ante 11,205%.

Os mercados têm sido bombardeados nesta semana pelas indicações do Fed de atuação mais dura na política monetária, penalizando principalmente ativos de risco. Depois da fala na terça-feira da diretora "dovish" Lael Brainard, indicada à vice-presidência do BC americano, na quarta veio a ata e, nesta quinta, o presidente da distrital de St. Louis, James Bullard, afirmou que "se inclina" a apoiar uma alta de 50 pontos-base nos juros na reunião de maio e que o Fed precisa agir "inequivocamente". Foi a senha para os yields dos Treasuries longos engatilharem máximas. O dólar teve alta generalizada e no Brasil subiu para R$ 4,7409.

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"O tom mais hawkish do Fed na semana estabeleceu de vez a leitura de que os juros vão subir em 50 pontos-base na próxima reunião", disse o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito.

Segundo ele, o efeito positivo do anúncio da bandeira verde, esperado para maio, já este mês sobre a curva foi mais forte na primeira parte do dia e, ainda assim, limitado aos vencimentos mais curtos. À tarde, as taxas zeraram a queda. "Ninguém quer comprar bandeira verde antes do IPCA amanhã", resumiu.

A previsão é de que com o fim da bandeira de escassez hídrica haja um desconto de até 20% na conta de luz. Várias casas ajustaram suas previsões para o IPCA no curtíssimo prazo, reduzindo a expectativa para abril e elevando a de maio, mas a medida não conseguiu alcançar as projeções nem para 2022 nem para 2023. "A decisão não altera o nosso IPCA projetado para o ano, que já contemplava uma bandeira verde em maio, mas antecipa parte desse impacto para abril", afirmaram os economistas do Banco Original.

Para o IPCA de março, a mediana das estimativas é de taxa de 1,35%, segundo o Projeções Broadcast, pressionada por preços administrados e alimentação no domicílio. Em fevereiro, o índice subiu 1,01%.