Economia

Juros: Taxas sobem com sinais de firmeza dos bancos centrais no combate à inflação

Da Redação ·

Os juros fecharam a quinta-feira em alta firme em toda a extensão da curva, refletindo a leitura do mercado das ações e mensagens dos bancos centrais do Brasil e no exterior de políticas monetárias cada vez mais restritivas para aplacar a escalada inflacionária global. O Relatório de Inflação (RI) do BC brasileiro confirmou o tom hawkish do comunicado e da ata do Copom, assim como a entrevista dos dirigentes da instituição. A avaliação é de que o ciclo de ajuste da Selic poderá ser estendido e com taxa permanecendo no nível terminal por um período mais longo.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 11,71% e a estendida em 11,70%, de 11,559% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2025 subiu de 10,542% para 10,625% (regular e estendida). E a do DI para janeiro de 2027 foi de 10,391% para 10,49% (regular) e 10,50% (estendida).

O avanço das taxas foi mais pronunciado no miolo da curva, com destaque para o DI janeiro de 2023, onde estão os vencimentos afetados diretamente pelos próximos passos do Copom. Hoje, o RI e as declarações do presidente do BC, Roberto Campos Neto, do diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk, e da diretora de Assuntos Internacionais, Fernanda Guardado, não deixaram dúvidas sobre a disposição do BC em recolocar à inflação em direção à meta, ainda que sacrificando a atividade.

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Entre os pontos centrais do relatório, estão o avanço da estimativa de juro neutro de 3,0% para 3,5% a e revisão do PIB de 2022 de 2,0% para 1,0%, número ainda bem acima dos de parte do mercado, que vê crescimento abaixo disso para o ano que vem. "Em 2022, há perspectiva de safras melhores, o que ajuda o PIB e pode explicar diferença em relação ao Focus", explicou Kanczuk, acrescentando que os serviços estão voltando e também devem ajudar a atividade no ano que vem.

O economista-chefe de Greenbay Investimentos, Flávio Serrano, considerou o relatório de inflação dentro do esperado e em linha com o que mostrou o comunicado do Copom, e destacou o tom hawk das entrevistas do BC. "O BC parece não estar dando muita bola para a atividade e considerando que o mais importante é garantir a convergência das expectativas, talvez suavizando e prolongando o ciclo", disse.

"Entendemos que vamos passar por um processo com elevação de juros e crescimento da atividade na margem que não é muito elevado. Mas se o processo for feito com credibilidade e transparência, é melhor remédio para maximizar possibilidades de crescimento futuro", afirmou Campos Neto. Kanczuk reforçou que a inflação para 2022 acima da meta demanda um período mais longo de juros mais elevados. Ainda, ele disse que o Copom está preocupado e olhando o risco de desancoragem no longo prazo e que não há conflito com o objetivo de atingir a meta no horizonte relevante.

A quinta-feira teve ainda reuniões do Banco Central Europeu (BCE), que iniciou seu programa de recompra de ativos, e do Banco da Inglaterra, que efetivamente subiu a taxa de juros, apesar dos sinais negativos para a economia que a disparada dos casos da variante Ômicron no Reino Unido emite. Entre os emergentes, o Banco Central do México (Banxico) elevou, de 5,0% para 5,5% ao ano, a sua taxa básica de juros. Ontem, o Fed confirmou a antecipação do fim do tapering de junho para março e indicou três altas de juros em 2022.