Economia

Juros: Taxas sobem com pressão das commodities na inflação, apesar da queda do dólar

Da Redação ·

Os juros futuros fecharam em alta a sessão que marcou a retomada dos negócios após o carnaval, pressionados pela explosão dos preços das commodities nos últimos dias, em meio ao agravamento do conflito Rússia-Ucrânia. A curva até tentou acompanhar a melhora do câmbio no começo da sessão, mas o ajuste à disparada das cotações do petróleo e das matérias-primas agrícolas se impôs, trazendo preocupação adicional ao cenário doméstico já ruim, de inflação. Nesse contexto, o mercado vê agora chance de aperto maior da Selic nas reuniões do Copom de maio e junho, enquanto para a de março não houve alteração na precificação de aumento de 1 ponto porcentual.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 12,62%, de 12,484% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2025, em 11,535% (regular), de 11,426%. O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 11,41% (regular), de 11,316%. Na sessão estendida, as taxas continuaram subindo, acompanhando as novas altas do petróleo no sistema de negociação eletrônico, terminando, respectivamente, em 12,655% (máxima); 11,60%; e 11,455%.

Na tarde de sexta-feira, o mercado de juros até havia adotado um pouco de cautela, mas não o suficiente para tamanha deterioração do cenário geopolítico vista nos dias em que ficou fechado, enquanto no exterior os mercados funcionavam normalmente. O aperto nas sanções à Rússia gerou, em resposta, uma escalada nos ataques à Ucrânia, numa espiral que não se sabe onde vai dar. Assim, na curva brasileira, o dia foi de ajuste à escalada dos preços das commodities desde segunda-feira. O petróleo subiu mais de 7% e superou a marca de US$ 110 nesta quarta-feira, chegando perto dos US$ 115 no fim da tarde no caso do Brent, que é a referência para os preços da Petrobras.

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No caso dos grãos, alguns até chegaram a fechar em baixa, mas devolvendo muito pouco o que subiram nos últimos dias - o trigo, por outro lado, avançou mais de 7%. Para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, os preços das commodities agrícolas estão voláteis e, por isso, "é muito cedo para a gente pregar catástrofe".

Para o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, somando-se o desempenho do petróleo mais o dos grãos, as expectativas de inflação para 2022 poderão superar 6% ou até chegar a 7%. "Se bater em 7%, o Banco Central vai ter de ir além do planejado", disse. "Não tem redução do IPI que dê alívio", completou, sobre a medida anunciada pelo governo na sexta-feira. Como havia antecipado o Broadcast, o governo reduziu a alíquota do imposto em 25%.

Diante da piora na perspectiva inflacionária, as apostas para alta da Selic ficaram mais agressivas para o Copom de maio e de junho. Para maio, a curva já projeta 30% de chance de alta de 1 ponto e 70% de 0,75 ponto, enquanto na semana passada o quadro estava entre 0,50 e 0,75 ponto. Para junho, na semana passada, o quadro estava dividido entre 0,25 ponto e 0,50 ponto, mas hoje a aposta de elevação de 0,50 ponto já está em 90%, contra 10% de chance de 0,25 ponto. Para a Selic terminal, a curva aponta taxa de 12,65%, de 12,45% no fim da semana passada. A Selic está em 10,75%. Os cálculos são da Greenbay Investimentos.

A pesquisa Focus, divulgada excepcionalmente hoje por causa do carnaval, trouxe nova rodada de alta nas estimativas do IPCA, após o IPCA-15 de fevereiro de 0,99%, acima do esperado. A mediana para 2022 subiu de 5,56% para 5,60%, reforçando a ideia de que este ano o teto da meta de 5% é inatingível. A mediana que realmente pesa agora no horizonte da política monetária, a de 2023, oscilou de 3,50% para 3,51%, acima do centro da meta de 3,25% para o ano que vem.