Economia

Juros: Taxas recuam com melhora na percepção de risco geopolítico e fiscal

Da Redação ·

Os juros futuros fecharam a sessão em baixa. A informação do governo russo, logo cedo, de que iniciou a retirada parcial de suas tropas na fronteira com a Ucrânia trouxe alívio, elevando o apetite por risco em ativos emergentes. O dólar foi para R$ 5,18, contribuindo para a retirada de prêmios da curva, que se beneficiou ainda dos sinais emitidos por Brasília. A percepção de que não deve prosperar a PEC dos Combustíveis, classificada pela equipe econômica como "kamikaze" do ponto de vista das contas públicas, vai se confirmando.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 12,385% (regular) e 12,37% (estendida), de 12,488% ontem no ajuste, e o DI para janeiro de 2025, em 11,345% (regular) e 11,325% (estendida), de 11,486% ontem. A do DI para janeiro de 2027 terminou em 11,225% (regular) e 11,195% (estendida), de 11,366%.

A redução dos riscos externo e fiscal, que normalmente fazem mais preço nos vencimentos de longo prazo, hoje ajudou a curva como um todo. Os vértices curtos e intermediários vinham acumulando prêmios desde a semana passada, com a mensagem da ata e declarações de dirigentes do Banco Central desfazendo a ideia de apenas mais uma elevação da Selic, em março, e enfraquecendo as apostas de corte da taxa no fim do ano.

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O que prevaleceu nesta terça foi o cenário internacional, com o esfriamento das tensões entre a Rússia e a Ucrânia se sobrepondo ao aumento da inflação no atacado nos Estados Unidos, que superou largamente as projeções. "Lá fora o movimento das Treasuries é misto, mas aqui estamos acompanhando a moeda, com o dólar chegando nos R$ 5,18, patamar de setembro", resumiu a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack. Ela ressalta que a entrada de fluxo segue beneficiando os ativos locais. "Principalmente para a Bolsa, que segue bancando a recuperação da taxa de câmbio e acaba trazendo retirada de prêmio na curva de juros."

Internamente, a economista destaca que a tratativa sobre os projetos sobre preços dos combustíveis no Congresso parece seguir em banho-maria. "Não estamos vendo qual matéria que vai ganhar força, então não temos nenhum assunto político latente", disse.

Mesmo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, tendo afirmado no fim da tarde que os projetos estão "maduros" para serem votados amanhã, não houve estresse. Mais cedo, o relator, senador Jean Paul Prates (PT-RN), afirmou que a votação poderia ser adiada, diante do aumento do prazo para emendas. Disse ainda que a PEC apelidada de "Kamikaze" pela equipe econômica ainda está "viva", mas não é prioridade.

O Tesouro realizou hoje leilão de NTN-B, de 800 mil títulos, mas não conseguiu colocar todo o lote de 150 mil papéis no vencimento longo, para 2045. Com isso, a venda total para três vencimentos foi de 692.350.