Economia

Juros: Taxas disparam com pressão vinda dos Treasuries e do câmbio

Denise Abarca (via Agência Estado) · GoogleNews

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O mercado de juros acompanhou o estresse dos ativos globais com taxas em forte alta, alinhadas à curva dos Treasuries, na qual os rendimentos dispararam, e à pressão sobre o câmbio. O índice de preços ao consumidor americano na sexta-feira, acima do consenso, ainda fez estragos, somando-se a outros sinais de inflação global e elevando o risco de uma atuação mais firme dos bancos centrais, sobretudo o Federal Reserve que, junto com o Copom, tem reunião na quarta-feira.

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Para o BC brasileiro, prevalecem as apostas amplamente majoritárias de uma elevação da Selic em 0,5 ponto porcentual, mas o quadro internacional e as incertezas domésticas podem recomendar uma extensão do ciclo de aperto para os próximos meses ou ao menos adiar o início do processo de distensão monetária.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 13,545%, de 13,375% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2024 encerrou na máxima de 13,29%, de 12,991% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 fechou com taxa de 12,745% (12,495% no ajuste de sexta-feira) e a do DI para janeiro de 2027 fechou na máxima de 12,74% (de 12,49%).

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O temor nos mercados se estabeleceu logo cedo e foi ganhando corpo ao longo do dia, na medida em que cresciam as apostas de uma ação mais agressiva do Federal Reserve, de um aumento de 75 pontos-base nos fed funds esta semana. Contudo, elas ainda não são majoritárias (28% contra 72% de chance de 50 pontos). No fim da tarde, a taxa da T-Note de dez anos renovava sucessivas máximas rumo a 3,50% e no maior nível desde abril de 2011, puxando máximas também na curva longa local.

No fim da sessão regular, porém, as taxas que mais subiam eram as de curto prazo, às vésperas do Copom. "Esse câmbio está colocando pressão na política monetária. Medo de o Banco Central estender o ciclo", comentou o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano.

Enquanto a precificação de Selic na curva para o Copom de quarta-feira subiu ligeiramente, de 53 na sexta para 55 pontos-base hoje, para agosto avançou de 25 para 35 pontos, ou seja, quadro quase dividido entre apostas de 0,25 ponto porcentual (60%) e 0,50 ponto (40%). A precificação para setembro saltou de 9 para 25 pontos.

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Variável que atinge uma série de preços, o dólar acima de R$ 5,10 neste momento pressiona ainda mais a defasagem dos preços do petróleo domésticos ante as cotações internacionais, juntamente com o barril a US$ 120 e que algumas casas já veem escalando os US$ 130.

Além do risco de um alongamento do ciclo, cresce a percepção de que a taxa básica deve permanecer em níveis elevados por um período maior do que o esperado antes de começar a cair. O Banco Fibra informou hoje que agora espera Selic estável durante 2022 e 2023, "dada a (esperada) lenta convergência da inflação (e das expectativas) para o centro da meta no horizonte relevante". A instituição prevê um último aperto de 0,50 ponto na Selic nesta semana. "Neste momento, acreditamos que apenas o cenário de recessão global e, consequente, desinflação generalizada de preços, poderia antecipar o ciclo de corte da taxa de juros, que esperamos, dar-se-á apenas em 2024", afirmam os economistas Cristiano Oliveira e Ágila Cunha.