Economia

Juros: Taxas caem, em sintonia com alívio no câmbio

Denise Abarca (via Agência Estado) ·
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Após fechar em alta nas últimas três sessões, os juros futuros tiveram queda firme nos vencimentos de médio e longo prazos, com a ponta curta encerrando apenas com um viés de baixa. O comportamento foi amparado na melhora de humor no cenário internacional, que também produziu efeitos benignos no câmbio, jogando o dólar para menos de R$ 5,35. A curva resistiu em baixa mesmo com as máximas registradas nos rendimentos dos Treasuries no meio da tarde, em meio a discursos hawkish de membros do Federal Reserve. Aqui, as questões fiscais que vinham respondendo em boa medida pela escalada recente das taxas foram assentadas com a votação da PEC dos Benefícios na comissão especial da Câmara, com o mercado já tendo digerido o impacto fiscal bilionário das medidas.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou com taxa de 13,755% (máxima), de 13,765% no ajuste de ontem. O janeiro 2024 passou de 13,551% a 13,515%. O janeiro 2025 caiu para 12,80%, de 12,89%. E o janeiro de 2027 recuou de 12,85% a 12,73%.

Com o ambiente externo hoje tranquilo, os investidores ficaram mais confortáveis na exposição ao risco e foram em busca dos gordos prêmios da curva, embora as taxas não tenham devolvido integralmente o que haviam subido. O modo risk on teve ainda suporte da leitura da ata do Federal Reserve ontem, que ao não mencionar o risco de recessão foi vista de forma positiva, ainda que tal possibilidade siga sobre a mesa diante do que o Fed promete fazer para a desaceleração da inflação - tanto que a curva das T-Notes de 2 e 10 anos segue invertida.

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Nesta tarde, o presidente da distrital de St. Louis do Federal Reserve, James Bullard, considerado um dos membros mais duros do board, disse que o que está em jogo é a credibilidade da instituição e que as expectativas de inflação para os Estados Unidos podem se desequilibrar sem uma ação confiável por parte do banco central americano.

Como reação, as taxas das T-Note de 2 e 10 anos romperam 3%, mas os mercados de ações assimilaram bem as declarações.

Nas commodities, o petróleo subiu hoje cerca de 4%, mas como ainda tem grande margem de queda acumulada no mês, o desempenho desta quinta-feira não foi suficiente para impedir o fechamento da curva local. Até porque a defasagem dos preços dos combustíveis ante os internacionais está praticamente zerada e já há sinais dos efeitos das medidas do governo sobre os preços nas bombas.

O texto-base da PEC dos Benefícios, também chamada de 'Kamikaze', foi aprovado na comissão especial da Câmara e a expectativa é de que, após a análise dos destaques, a matéria siga para o plenário. Os agentes veem a tramitação célere como um mitigador da piora de risco fiscal, na medida em que a demora no processo poderia abrir brecha para a inclusão de mais benefícios sociais. Sem contar o custo das desonerações, a PEC terá impacto de R$ 41,2 bilhões fora do teto de gastos, a serem custeados, em boa medida, com recursos da privatização da Eletrobras.