Economia

Juros: Taxas caem com surpresa do IPCA e reação de ativos a inflação nos EUA

Da Redação ·

Os juros fecharam em queda, de forma mais acentuada na ponta longa. O IPCA de novembro perto do piso das estimativas trouxe alívio após o comunicado do Copom ter pressionado ontem as taxas curtas e intermediárias para cima. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos praticamente em linha com o esperado também não deixou de ser uma boa notícia. Na curva de juros, o mercado retirou prêmios para aceleração do ritmo de aperto monetário nos próximos meses, zerando as apostas de alta de 1,75 ponto porcentual para o Copom de fevereiro e já mostrando alguma chance de 1,25 ponto.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 encerrou em 11,43% (regular) e 11,435% (estendida), de 11,634% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 10,692% para 10,425% (regular) e 10,39% (estendida). A do DI para janeiro de 2027 terminou em 10,34% (regular) e 10,33% (estendida), de 10,601%.

O mercado vinha desde a semana passada bastante disposto a montar posições aplicadas em pré, embalado pelos dados fracos de atividade divulgados, movimento que foi interrompido ontem pelo comunicado do Copom, considerado hawk. Mas, com o IPCA mais fraco nesta sexta-feira, acabou retomando a tendência e, assim, as taxas fecharam com queda expressiva. A inflação de 0,95% em novembro mostrou desaceleração importante ante outubro (1,25%), ficando abaixo da mediana de 1,10% das estimativas, que tinham como piso 0,94%. O arrefecimento foi atribuído basicamente à deflação em Alimentos e Bebidas e promoções da Black Friday. A leitura dos preços de abertura foi também favorável.

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Ainda que em 12 meses a taxa tenha acelerado a 10,74%, de 10,67% em outubro, o resultado mensal foi comemorado, após tantos meses de surpresas negativas. "É o primeiro sinal de que estamos entrando em trajetória descendente e a expectativa é de taxa ainda menor em dezembro. Isso abala o discurso de quem vinha apostando em alta mais firme da Selic", afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, lembrando que o comunicado do Copom indicou nova alta de 1,5 ponto porcentual da taxa básica em fevereiro.

A curva já projeta menos de 150 pontos-base de aperto da Selic em fevereiro, segundo a Greenbay Investimentos. Os 146 pontos precificados representam 85% de probabilidade de aumento de 150 pontos e 15% de chance de 125 pontos. A projeção de Selic terminal, que ontem era de 12,75%, hoje caiu para 12,25% e para o fim de 2022, está em 11,50%, de 12% ontem.

O ambiente internacional também contribuiu para a curva continuar perdendo inclinação. O índice de inflação ao consumidor nos Estados Unidos no mês passado (0,8%) veio apenas ligeiramente acima do consenso (0,7%), o que foi visto com bons olhos a poucos dias da reunião de política monetária do Federal Reserve. "Embora siga a perspectiva de aceleração do tapering na próxima semana, apostas mais agressivas de alta dos juros no curto prazo foram atenuadas", afirmou o economista Silvio Campos Neto, da Tendências.