Economia

Juros: Taxas abandonam queda e ficam voláteis com exterior e ajuste nas NTN-B

Denise Abarca (via Agência Estado) ·
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Os juros futuros terminaram o dia levemente pressionados para cima na ponta curta e praticamente estáveis nos longos, após manhã de queda uniforme na curva. À tarde, o mercado ficou mais volátil em meio ao aumento da cautela no exterior e fatores técnicos relacionados ao mercado de NTN-B.

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O IPCA-15 abaixo do consenso teve efeito maior na primeira parte dos negócios. Com a leitura dos preços de abertura ainda insatisfatória, o indicador não foi suficiente para amparar o recuo das taxas até o fim do dia. Do exterior, a influência veio principalmente da curva americana, que ficou com inclinação ainda mais negativa nesta terça-feira. Outro destaque foi o leilão de NTN-B do Tesouro, considerado bem sucedido após operações frustradas recentemente.

As principais taxas fecharam nas máximas do dia, com exceção do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que ficou em 13,115%, de 13,14% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2023 terminou com taxa de 13,885% (13,841% ontem no ajuste) e a do DI para janeiro de 2024, com taxa de 13,78%, de 13,737%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 13,195%, de 13,18%.

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Pela manhã, as taxas estavam em queda pelo terceiro dia consecutivo, alimentada pelas reações ao resultado do IPCA-15 e com os Treasuries em baixa, que continuaram dando suporte ao movimento de correção da alta considerada por alguns players como exagerada na semana passada.

"O 'headline' bom escondeu uma abertura ainda pressionada", comentou a economista-chefe da MAG Investimentos, Patricia Pereira, que reconhece no entanto que há sinais incipientes de melhora vindos dos preços industriais.

O IPCA-15 saiu de 0,69% em junho para 0,13% em julho, ante mediana das estimativas de 0,16%. O movimento foi puxado pela queda dos preços administrados, em função da deflação de preços de combustíveis e energia, que se sabe artificial, pois será devolvida após o fim das desonerações.

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"O qualitativo do IPCA segue ruim, mas com indicativos de menor pressão de demanda", disse o gestor de renda fixa da Sicredi Asset Cássio Andrade Xavier, que viu o movimento da curva pela manhã mais ligado ao exterior. "Temos um 'fit' bom da curva local e nos EUA", afirmou, destacando sobretudo o comportamento do yield da T-Note de dois anos, pressionado para cima em função das apostas para a política monetária do Federal Reserve.

Dados fracos da economia americana divulgados mais cedo corroboraram a ideia de manutenção da dose de aperto 75 pontos-base do juro na decisão do banco central americano amanhã. Já a ponta longa dos Treasuries recuou, ampliando o spread negativo ante a ponta curta em várias medidas de inclinação, prenunciando pessimismo para a atividade.

Na parte mais técnica do mercado, a desaceleração do IPCA-15 mais forte do que o consenso de mercado pautou a espera pela nova projeção da Anbima para o índice fechado do mês, que vai balizar a atualização do Valor Nominal dos títulos indexados pelo IPCA, as NTN-B, a partir de amanhã. A nova estimativa será divulgada ainda hoje.

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Vale lembrar que o mercado secundário de NTN-B vêm há dias sob pressão vendedora nos prazos mais curtos em função do carrego negativo que os papéis vêm apresentando, por sua vez decorrente das expectativas de deflação para o mês. Antes do IPCA-15, a projeção da Anbima para o IPCA fechado era de -0,63%. Para suavizar as perdas do papel, o mercado normalmente monta posições tomadas em DI.

O Tesouro fez hoje oferta primária do papel, em leilão considerado bem-sucedido. "Foi uma emissão significativa após operações decepcionantes", comentou Xavier. Do lote de 1,4 milhão de títulos, foram vendidos 1.291.050 títulos.