Economia

Juros sobem com desconforto fiscal, fala de Campos Neto e exterior

Da Redação ·

Os juros não sustentaram o movimento de queda visto pela manhã e subiram à tarde, em meio a declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, à instabilidade nos mercados internacionais e preocupações com o cenário fiscal. Mesmo com a sinalização do Copom de que levará a taxa Selic para onde for necessário para recolocar a inflação na meta, a curva fechou setembro praticamente com o mesmo nível de inclinação do fim de agosto, refletindo a postura mais hawkish do Federal Reserve - que levou a uma disparada recente nos rendimentos dos Treasuries-, a falta de avanço nas reformas econômicas e indefinições do cenário fiscal.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subiu de 9,13% para 9,20% e a do DI para janeiro de 2025, de 10,215% para 10,28%. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 10,69%, de 10,573% na quarta-feira. O diferencial entre as taxas de janeiro de 2023 e janeiro de 2027 ficou nesta quinta-feira em 149 pontos-base, de 145 pontos na quarta e 147 pontos no fechamento de agosto.

Pela manhã, as taxas conseguiam dar sequência à baixa de quarta-feira, com o mercado digerindo sem traumas o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e os dados da Pnad, enquanto o exterior não tinha uma tendência bem definida. Se mantiveram em queda moderada inclusive quando saiu o edital do leilão do Tesouro, com lote de 14 milhões de LTN, o dobro em relação ao de 7 milhões ofertado 15 dias atrás nos mesmos vencimentos. No começo da tarde, porém, o recuo perdeu fôlego até que passaram a oscilar com viés de alta, entrando definitivamente em terreno positivo na última hora de negócios.

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No período vespertino, as taxas dos Treasuries também passaram a subir com o reforço no discurso do Federal Reserve de que o tapering deve começar nos próximos meses. "Tivemos a piora lá fora e também, depois do RTI, o reforço na mensagem de Campos Neto sugerindo Selic terminal mais alta", disse o diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset, Rogério Braga. Ele considerou as declarações, dadas durante entrevista sobre o RTI, "hawk". "Saímos mais uma vez com a impressão de que o patamar final é acima do que o boletim Focus precifica", disse.

Segundo Campos Neto, o patamar da Selic no fim do ciclo conta mais do que ritmo de alta para convergência da inflação à meta no horizonte relevante. "Explicitamos que a Selic terminal é mais importante que o ritmo em si. E há um trade-off entre essa importância e a vantagem de se ter mais tempo para analisar informações em um ambiente volátil", argumentou o presidente do BC. Ele evitou falar em patamar máximo, mas disse que os próximos dados sobre atividade e inflação vão ser importantes para definir o nível final.

Na reta final da sessão regular, as taxas renovaram máximas com o desconforto trazido pela a informação apurada pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) de que uma ala do governo estaria pressionando pela inclusão, na PEC dos Precatórios, a extensão do auxílio emergencial, contrariando o que defende a equipe econômica. A previsão constitucional da extensão do benefício derrubaria o argumento dos técnicos da área econômica de que não há hoje fundamento legal para uma nova rodada da ajuda aos vulneráveis.

Em reuniões pela manhã organizadas pela XP Investimentos e BTG, o secretário Especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, afirmou com todas as letras que não assinaria qualquer medida nessa direção, segundo fontes que participaram dos encontros.