Economia

Juros ficam de lado com mercado acompanhando 'novela' dos combustíveis

Denise Abarca (via Agência Estado) ·
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Os juros futuros fecharam de lado nesta quarta-feira, após passarem o dia sem firmar tendência e com várias trocas de sinais. Após a forte reação negativa na terça ao pacote de combustíveis engendrado pelo governo, os investidores estiveram em compasso de espera pela divulgação do parecer do senador Fernando Bezerra (MDB-PE) e de olho na reunião com os Estados, que têm representado o grande entrave na discussão do pacote no Senado. O movimento do câmbio e fatores técnicos relacionados ao mercado de NTN-B também influenciaram a dinâmica do mercado. O relatório foi divulgado pouco antes do início da etapa estendida, mas, mantidas as linhas gerais do que foi aprovado na Câmara e ignorando boa parte das demandas dos governadores, não houve reação nas taxas.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 ficou estável ante o ajuste anterior, a 13,49%, e a do DI para janeiro de 2024 passou de 13,206% para 13,22%. O DI para janeiro de 2025 encerrou a etapa regular em 12,685%, de 12,66%, e a taxa do DI para janeiro de 2027 ficou em 12,60%, de 12,595%.

Com a agenda de indicadores e eventos esvaziada, o gestor de renda fixa da Sicredi Asset, Cassio Andrade Xavier, afirma que o mercado não teve nesta quarta um grande driver, e ainda digeria a "novela dos combustíveis" e o tamanho do impacto fiscal. "Petróleo e câmbio não ajudam muito. Temos de ver o que vai sair do parecer", disse. O projeto fixa um teto de 17% para o ICMS sobre combustíveis, energia, telecomunicações e transporte público.

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O relatório foi divulgado com a sessão regular já encerrada, mas durante a tarde já se sabia que não houve evolução na reunião com os secretários de Fazenda. Os principais pontos de discordância são o nível de compensação da União aos Estados pela perda de receita e uma eventual "modulação" no corte da alíquota do ICMS.

Pelo projeto aprovado na Câmara, os governos estaduais seriam compensados, por meio do abatimento da dívida com a União, quando as perdas fossem superiores a 5%, durante um período de transição de 6 meses. O presidente do Comsefaz, Décio Padilha, considera, contudo, que mesmo perda inferior a 5% pode inviabilizar políticas públicas.

O parecer, de forma geral, manteve o que foi aprovado na Câmara. Uma das poucas mudanças foi a inclusão de uma compensação da perda de receitas para Estados sem dívida com a União. Para esses entes, a compensação será feita em 2023, com recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) e com a priorização na contratação de empréstimos da União. Estados com dívida terão abatimento sobre os juros e não sobre o estoque. O senador incluiu ainda a proposta de zerar o PIS/Cofins e o PIS/Cofins-Importação sobre álcool hidratado combustível, álcool anidro e gasolina.

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A percepção sobre o alívio inflacionário embutido na proposta por ora parece estar fazendo preço mais nas NTN-B curtas do que no DI. Na terça, houve forte queda nas taxas de inflação implícita nos prazos até 2024, movimento que continuou nesta manhã, mas à tarde se sustentava mais na NTN-B 2022, segundo o gestor da Sicredi. "Olhando de 2025 adiante, o risco fiscal faz mais preço para a abertura das implícitas", disse.

O mercado está também no aguardo do IPCA, nesta quinta-feira. Para o economista-chefe da JR Trust, Eduardo Velho, a expectativa de desaceleração do índice de 1,62% de abril para 0,6% em maio deveria sancionar um viés pontual de realização no DI. "Por outro lado, o retorno do aumento dos impostos sobre os combustíveis em 2023 elevaria a inflação para uma faixa superior à 5,27% (nossa atual previsão teto do IPCA)", disse.

A mediana das estimativas coletada pelo Projeções Broadcast é de 0,60%, com previsão de aceleração nos núcleos e alívio em preços administrados.