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Juros fecham em alta com piora na percepção de risco político

Escrito por Da Redação
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A piora na percepção do risco político seguiu à tarde como protagonista no mercado de juros, mantendo as taxas para cima em reação ao vídeo divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro, no qual enterrou o programa Renda Brasil e ameaçou dar "cartão vermelho" a quem propuser congelamento de aposentadorias. A fala do ministro Paulo Guedes, durante evento online, defendendo o presidente, as reformas e o rigor fiscal, e dizendo ainda que o cartão não era para ele, jogou um pouco de água na fervura, mas ainda assim não evitou que as taxa fechassem em alta. Com o quadro interno mais tenso, o mercado acabou por se descolar do bom humor externo. As taxas curtas, mais uma vez, ficaram de lado nesta terça-feira, com o mercado em compasso de espera pela decisão da quarta-feira, 16, do Comitê de Política Monetária (Copom).

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou de 6,923% para 7,02%, fechando acima 7% pela primeira vez desde 28 de maio (7,05%). A do DI para janeiro de 2022 subiu de 2,813% para 2,87% e a do DI para janeiro de 2023 fechou em 4,15%, de 4,064%. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 6,03%, de 5,934% no ajuste anterior, acima de 6% pela primeira vez também desde 28 de maio (6,11%).

"Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil. Vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final", afirmou Bolsonaro, em vídeo postado no Facebook no período da manhã, no qual também se disse surpreendido por manchetes de jornais sobre o programa poder ser bancado com o congelamento de aposentadorias e pensões.

O fato de o governo desistir do programa não é mal visto pelo mercado. Ao contrário, diante da dificuldade em se encontrar uma fonte de receitas é considerado até um alívio. "Ao tirar o Renda Brasil da mesa acredito que abra espaço para a discussão de temas mais urgentes da agenda legislativa e isto pode ser mais eficiente", disse o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito.

O problema, como já notado em outras ocasiões, é a forma como isso foi divulgado. "A parte positiva é que o governo parece que não vai fazer programa assistencial maior a qualquer preço. Mas a forma de Bolsonaro se comunicar é negativa", endossou o gestor de renda fixa da Sicredi Asset, Cassio Andrade Xavier, lembrando que não é a primeira divergência entre a Economia e Bolsonaro em função do Renda Brasil.

Segundo apurou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a ordem do presidente chegou à equipe econômica na noite desta segunda-feira, em cima da hora da etapa final de elaboração do programa, e irritou os membros. O clima azedou pois os técnicos já estavam em uma fase avançada dos estudos, debruçados em cálculos e propostas considerados tecnicamente defensáveis.

Guedes tentou colocar panos quentes - "o linguajar, os termos do presidente são sempre muito intensos" - em participação "Painel Tele Brasil 2020", no qual ainda afirmou que o "cartão vermelho" de Bolsonaro não foi direcionado a ele. "O mercado entendeu que o alvo é o Waldery, que ontem falou sobre isso em entrevista", disse o estrategista de Mercados da Harrison Investimentos, Renan Sujii, referindo-se ao secretário especial de Fazenda do Ministério, Waldery Rodrigues.

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