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Juros curtos têm leve alta e longos, viés de baixa, com visão de desinflação

Escrito por Da Redação
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Os juros operaram em dois turnos nesta quarta-feira de liquidação global em ativos de risco e, por aqui, decisão de política monetária. Na primeira etapa, estiveram em alta firme, alinhados à tensão no câmbio e nas ações, mas o avanço foi perdendo força ao longo do dia e no meio da tarde as taxas já reduziam bastante o avanço, com viés de baixa nos longos.

A pressão foi suavizada na medida em que foi ficando claro para os agentes que a segunda onda de covid-19 que se espalha na Europa e nos Estados Unidos, gatilho para o estresse generalizado, é deflacionária e deve forçar a manutenção dos estímulos de liquidez por um longo período.

Essa percepção acabou por alterar a expectativa para o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) no período da noite, que nos últimos dias era de um tom mais conservador. Agora, diante do aumento no risco de prolongamento na recessão mundial, a percepção é de que o colegiado pouco deve alterar o texto. Sobre a Selic em si, a curva mantém precificação indicando quase 100% de chance de estabilidade em 2%.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 3,51%, de 3,445% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2023 fechou acima de 5% pela primeira vez desde o fim de abril, aos 5,03%, de 4,936% na terça. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 6,70%, de 6,675% na terça, e a do DI para janeiro de 2027 passou de 7,494% para 7,47%.

Nos últimos dias, o ritmo descontrolado da disseminação de covid-19 nas economias centrais já assustava e nesta quarta se acentuou com alertas das autoridades europeias. Pela manhã, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o número de casos na Europa deve continuar crescendo nas "próximas duas a três semanas", enquanto países como França e Alemanha estão apertando regras de restrição de circulação. "O vírus circula pela França com velocidade não prevista mesmo pelos pessimistas", afirmou o presidente Emmanuel Macron, que anunciou que o país adotará um segundo lockdown a partir de sexta-feira.

Já os Estados Unidos registraram meio milhão de casos da doença em apenas uma semana e ainda não há perspectiva para o fechamento de acordo para o pacote fiscal, a poucos dias da eleição presidencial.

Num primeiro momento, a ponta longa chegou a subir em até 15 pontos-base, mas à tarde, numa análise menos emocional, o desenho da curva foi mudando, com taxas até o miolo com alta moderada e viés de queda nos longos. "O mercado acordou não entendendo muito para onde ir, mas ao longo do dia botou a cabeça para funcionar. Se o motivo do estresse é a segunda onda de covid, o efeito será deflacionário", disse Rogério Braga, diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset.

Na avaliação dos profissionais, o clima mais sombrio nos mercados internacionais, com possibilidade de recessão mundial por mais tempo, desestimulou nesta quarta apostas em mudanças no comunicado do Copom. "O cenário de risco ampliado dá conforto para o BC não mexer tanto no que já vinha falando, não alterar o forward guidance", afirmou Braga.

Para outro gestor, falando em condição de anonimato, os eventos no exterior complicam a situação do Banco Central. "Se não fosse isso, o texto seria com certeza menos dovish. Acredito que isso ainda possa acontecer, retirando por exemplo a menção à possibilidade de novo corte da Selic", disse.

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