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Indiferente a novo tarifaço, Ibovespa sobe 1,16%, aos 174,2 mil pontos

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Apesar do ruído de peso na relação EUA-Brasil, com ameaça de imposição de novo tarifaço, o Ibovespa teve um dia de recuperação técnica após cinco sessões em baixa que o mantiveram nos menores níveis desde janeiro. Nesta sexta-feira, com apetite por risco no exterior - o que estendeu a série de recordes em Nova York -, o índice fechou em alta de 1,16%, aos 174.197,10 pontos, entre mínima de 172.198,54 e máxima de 174.894,05 pontos. Na semana, sobe 0,24%, colocando o ganho do ano a 8,11%. O giro financeiro ficou em R$ 22,7 bilhões nesta terça-feira.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, determinou que os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Márcio Elias Rosa, encabecem as negociações com a Casa Branca, depois que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgou relatório que promete nova rodada de aumento de tarifas a produtos brasileiros no mês que vem. Conforme fontes, as orientações foram para que as tratativas se deem em nível técnico, sem que haja contaminação política.

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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que o governo brasileiro recebeu com "indignação" a "injusta" recomendação do USTR para imposição de tarifa adicional de 25%, a partir do próximo mês, a produtos brasileiros. "Recomendação é injusta porque cita o Pix, que é patrimônio nacional", acrescentou Alckmin.

O presidente Lula afirmou, também nesta terça-feira, que espera um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que possa explicar a proposta do USTR de aplicar uma tarifa geral de 25%, sob a alegação de que o Brasil adota práticas que oneram ou restringem o comércio norte-americano. Lula disse também que os Estados Unidos anunciaram de forma "intempestiva" a taxação, medida que, segundo ele, foi baseada em uma "mentira".

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos elogiou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao comentar publicamente, nesta terça, o encontro que manteve com o parlamentar brasileiro na Casa Branca na semana passada. Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que foi "muito agradável" receber Flávio no Salão Oval e o descreveu como "um jovem inteligente que ama muito seu País, o Brasil".

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Em evento mais cedo, Lula havia responsabilizado o clã Bolsonaro pela nova taxação, e se referiu aos filhos de Jair Bolsonaro como "traidores". No mesmo discurso, o presidente brasileiro defendeu também que a exploração de terras raras seja tratada como tema de soberania nacional, e afirmou que o Brasil não permitirá que esses recursos "sejam levados como levaram nosso ouro".

Em outro desdobramento nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro disse ter enviado uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, expressando preocupação com as tarifas dos EUA ao Brasil. Com o argumento de que novas tarifas infligiriam prejuízo ao povo brasileiro, ele teria pedido, na carta, para que não imponham as taxas.

Apesar do duro tom político que marcou o dia, após uma decisão que se conheceu nesta madrugada, os ativos brasileiros foram bem nesta terça-feira. Além do Ibovespa em alta, o dólar caiu a R$ 5,00 e a curva do DI também chegou a retroceder, em dia favorável ao apetite por risco no exterior.

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Entre as blue chips na B3, apenas Petrobras destoou, em baixa de 0,62% na ON e de 0,53% na PN, apesar da moderada progressão dos futuros do petróleo em Londres e Nova York. Destaque para a alta de 4,04% em Vale ON, principal papel do Ibovespa, e para ganhos de até 1,54% em Bradesco PN, entre os maiores bancos. Na ponta ganhadora do Ibovespa, CSN (+8,85%), Usiminas (+8,57%) e Gerdau (+6,53%). No lado oposto, Marcopolo (-2,78%), Magazine Luiza (-2,41%) e WEG (-2,33%).

"A possibilidade de o Brasil ser tarifado em 25% pela administração Trump opera menos como um choque uniforme de comércio e mais como um choque de incerteza com assimetria setorial, cuja intensidade final dependerá do escopo, das exceções e da possibilidade de negociação política", avalia Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos. "O mercado tende a precificar primeiro o risco de compressão de margens e a queda de volumes nas exportações mais expostas, e depois o efeito indireto sobre o câmbio, juros, inflação e múltiplos acionários no Brasil."

Para além da mais recente ameaça de tarifaço, a "recuperação de hoje foi tracionada por bancos e, em especial, pelo setor de commodities", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. "Notícias vão e vem a toda hora, mas o mercado volta a comprar a ideia de solução para o conflito do Oriente Médio, e se mantém a percepção, nas últimas pesquisas, de que a candidatura de oposição mostra ainda sustentação na disputa presidencial de outubro, no Brasil."

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