Economia

Ibovespa tenta defender os 108 mil pontos, mas cenário fiscal interno pesa

Da Redação ·

O Ibovespa abre espaço para recuperar parte das perdas de cerca de 7% da semana passada, iniciando o pregão com valorização em torno de 1%. A alta é superior à vista em Nova York, onde apenas o Nasdaq subia (0,08% perto de 10h40). Vale ressaltar que enquanto as bolsas americanas subiram em vários momentos na semana passada, refletindo principalmente a temporada de balanços, o Índice Bovespa apresentou volatilidade e queda. "Acredito em recuperação. Caiu forte demais na semana passada. Olhando para a parte fundamentalista, até parece que o investidor tinha desistido. Claro que temos fatores ruins perigo em relação ao teto de gastos", avalia Rodrigo Knudsen, gestor da Vítreo.

continua após publicidade

Contudo, investidores continuam temerosos em relação ao ambiente fiscal e político do Brasil. Embora a semana esteja só começando, problemas ligados a esses temas seguem latejando na cabeça do mercado há dias, à medida que parece cada vez mais certo que o presidente Jair Bolsonaro seguirá adotando medidas populistas para tentar a reeleição em 2022. Apesar disso não ser novidade e mesmo o fato de o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que continuará no governo, indicando que apoiará a atual política, não afasta o clima cauteloso dos investidores em relação ao Brasil.

As discussões sobre o teto de gastos fiscal na semana passada seguem balançando as projeções, afirma Antônio Sanches, especialista em investimentos da Rico. "Nosso time de economia revisou as projeções: esperamos o dólar mais alto, em R$5,70, no final de 2021 e 2022 (antes R$ 5,20); Inflação (IPCA) em 9,1% para 2021 e 5,2% em 2022, antes 9% e 3,9% respectivamente; Elevação na taxa de juros em 1,5 ponto percentual na próxima reunião; Crescimento do PIB menor em 2021 (agora 5,0%, antes 5,3%) e menor em 2022, de 0,8% (antes 1,3%)", cita em relatório.

continua após publicidade

Somado a este ambiente, a agenda da semana está repleta de dados aqui e no exterior com força para influenciar os mercados, além da safra de balanços, que ganha tração. No Brasil, saem os dados trimestrais de Vale, Petrobras e Ambev, enquanto nos Estados Unidos os resultados das high techs vão atrair a atenção.

Apesar do tom positivo esta manhã, o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira, pondera que isso não indica que esta será uma tendência. "É uma semana intensa com resultados do terceiro trimestre, Copom e dados de conjuntura. Vamos depender do noticiário, CPI da Covid e da atitude do governo", diz em análise matinal a clientes e à imprensa.

Para o Copom desta semana, crescem as estimativas de alta da Selic em 1,5 ponto porcentual, e não mais de 1 pontos. Hoje, o juro básico está em 6,25% ao ano.

continua após publicidade

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 1,34%, aos 106.296,18 pontos, acumulando perda semanal de 7,28%, num período marcado por crescentes preocupações fiscais, em meio ao possível descumprimento do teto de gastos, que levou à debandada na equipe econômica na última semana. Paulo Valle foi confirmado para a secretaria do Tesouro, na sexta à noite.

Após toda a especulação sobre a saída de Guedes na sexta-feira, que parece ter sido contornada pelo presidente, por ora, o sentimento do mercado é de apreensão sobre o que pode vir no futuro, avalia a CM Capital em relatório. "Ainda que Guedes tenha dito que o furo no teto está limitado a 30 bilhões reais, há uma pressão, admitida tempos atrás pelo próprio ministro da Economia, da ala política do governo para ampliar gastos", cita a CM.

No pior momento, na sexta, o índice Bovespa caiu para 102.853,96 pontos. Conforme Bandeira,

continua após publicidade

o Ibovespa não pode perder o nível dos 100 mil pontos para evitar aprofundar as perdas. Na contramão, "para cima", ressalta que há bastante espaço para retomar os recentes recuos.

A alta nas cotações do petróleo no exterior beneficiar recuperação da ações da Petrobrás. Perto de 10h40, subiam quase 4%. Ficam ainda no radar as afirmações, mais uma vez de Bolsonaro, de que não irá interferir na política de preços da estatal. Além disso, a companhia informou que apresentou ao Ibama um pedido de licença de operação para explorar petróleo da região da foz do Rio Amazonas, uma área de extrema sensibilidade ambiental.

continua após publicidade

Conforme a CM Capital, o preço da gasolina deve sofrer reajuste nesta semana e o mercado está atento a isso. "Em entrevista ao lado de Bolsonaro, Paulo Guedes admitiu que haverá mais reajustes. Tal medida deve reforçar ainda mais a possibilidade de haver greve dos caminhoneiros a partir de novembro, conforme prometido por lideranças da categoria."

Na China, o minério de ferro fechou em queda de 0,37%, no porto de Qingdao, a US$ 119,08 a tonelada. Ainda assim os papéis da Vale avançavam 0,74% às 10h43, ajudando o Ibovespa. As ações de outras mineradoras e de siderúrgicas subiam com mais força do que as da Vale. Usiminas PNA tinha elevação de 1,74% e Gerdau PN, de 1,31%; CSN son subia 0,88%.

A despeito disso, na China, além de continuadas preocupações com a escalada inflacionária no gigante asiático - assim como nos EUA -, chama a atenção dos investidores um novo surto de covid-19 no país, que pode atrapalhar o crescimento.

Às 10h45, o Ibovespa subia 0,97%, aos 107.329,01 pontos, após máxima diária aos 108.032 pontos e mínima aos 106.295,68 pontos.