Economia

Ibovespa sobe 1,14%, a 102,5 mil pontos, com Petrobras e reação ao Fed

Luís Eduardo Leal (via Agência Estado) ·
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O Ibovespa emendou o segundo dia de ganho - ambos na casa de 1% - energizado pelo apetite por risco em Nova York, deflagrado pelos sinais sobre juros emitidos ontem pelo Federal Reserve. A indicação de que o ritmo de elevação da taxa de referência pode ser suavizado já na próxima reunião do Fed, em setembro, ganhou força nesta quinta-feira, 28, com a primeira leitura sobre o PIB do segundo trimestre nos Estados Unidos, em contração anualizada de 0,9%, vindo já de recuo nos primeiros três meses do ano. A possibilidade de recessão em enraizamento na maior economia do mundo contribui para corroborar a visão de que o Fed tende a segurar um pouco mais a mão, adiante.

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Ainda pela manhã, o Ibovespa recuperou pontualmente a linha dos 102 mil pontos, firmada ao longo da tarde com a acentuação de ganhos em Nova York e por dados domésticos, como o superávit primário de R$ 14,433 bilhões para o governo central em junho - melhor leitura para o mês em 11 anos em valores corrigidos pela inflação, e, em termos nominais, a maior da série histórica para junho. Outro desdobramento positivo foi o Caged, com a criação de 277.944 vagas de trabalho formal em junho, avançando em relação à leitura de maio (274.582) e também acima da mediana das expectativas para o mês, de 234 mil, segundo o Projeções Broadcast.

Assim, refletindo fatores externos e internos favoráveis na sessão, o Ibovespa subiu nesta quinta-feira 1,14%, aos 102.596,66 pontos, como ontem no maior nível de fechamento desde 15 de junho (102.806,82). Entre a mínima e a máxima de hoje, oscilou dos 101.044,69 aos 102.685,67, saindo de abertura aos 101.436,76 pontos. Faltando apenas a sessão de amanhã para o encerramento do mês, o Ibovespa acumula ganho de 4,11% em julho, limitando a perda do ano a 2,12%. Na semana, o ganho está agora em 3,71%. O giro de hoje foi um pouco mais alto, a R$ 21,8 bilhões.

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"Tinha uma expectativa grande para o PIB dos Estados Unidos, após a possibilidade indicada ontem pelo presidente do Fed Jerome Powell de desaceleração do ritmo de alta dos juros. A interpretação que os investidores fizeram ontem foi a de que Powell indicou ser possível desacelerar o ritmo de alta dos juros a partir de setembro, e que talvez seja possível desacelerar a inflação ao consumidor sem promover um solavanco na economia com uma elevação de juros muito agressiva", diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

Ela acrescenta que bem recentemente, até algumas semanas atrás, os investidores vinham precificando a taxa de referência do Fed a 4% no fim do ano, e agora se estima o nível de juros no fim de ciclo entre 3,25% e 3,50% - ontem, foi elevada para a faixa de 2,25% a 2,50%. "Em setembro, o ritmo de elevação deve ser reduzido (de 0,75) para 0,50 ponto porcentual", diz a economista. "A primeira confirmação de que o Fed tende a seguir por esse caminho foi o dado do PIB de hoje, que mostrou quadro de recessão técnica, com duas retrações consecutivas. E o segundo trimestre trouxe desaceleração no consumo das famílias, além de forte desaceleração no ritmo de importação. Há sinais de perda de fôlego da economia americana."

"Com perspectiva de um ajuste monetário mais brando adiante nos Estados Unidos, os mercados globais reagiram positivamente, com bolsas subindo, juros de longo prazo caindo, e dólar perdendo um pouco de força frente a outras moedas", aponta Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos, ressalvando que "o bom humor não deve se sustentar por muito tempo", em referência à persistência de outras incertezas, tanto domésticas como externas.

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Hoje, além dos desdobramentos positivos em torno do Fed, a Petrobras anunciou queda de R$ 0,15 no preço do litro da gasolina nas refinarias a partir de amanhã, 29, o que contribui para aguardada acomodação do IPCA prevista para os próximos meses, desde que se iniciou a desoneração dos combustíveis. O novo preço da estatal será de R$ 3,71 por litro, 3,88% abaixo dos R$ 3,86 que vigorava desde a última redução, há nove dias. Antes da queda, o preço estava 2% acima dos preços internacionais, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

Apesar da nova redução dos preços da gasolina nas refinarias da Petrobras, as ações da empresa (ON +2,12%, PN +3,00%) puxaram hoje a fila de ganhos entre as ações de maior liquidez e peso no Ibovespa, bem à frente de Vale ON (+0,24%), no dia em que ambas as gigantes das commodities divulgam os respectivos balanços do segundo trimestre, após o fechamento da B3. Além da redução de preço, a Petrobras anunciou também R$ 87 bilhões em dividendos, adiantando os pagamentos também do terceiro e quarto trimestres.

Em outra frente, apesar de recepção mista aos números trimestrais do Santander (Unit +2,51%, máxima do dia no fechamento), a sessão também foi positiva para os bancos, segmento de maior peso no índice, com destaque também para BB ON (+1,86%). Na ponta do Ibovespa nesta quinta-feira, Qualicorp (+7,65%), Natura (+6,00%) e Petz (+4,75%), com Marfrig (-4,76%), Gol (-4,65%) e JBS (-3,32%) no lado oposto.