Economia

Ibovespa sobe 0,97%, a 122,8 mil pontos; Bolsa acumula ganho de 0,83% na semana

Da Redação ·

O Ibovespa conseguiu sobreviver ao dia de pressão sobre câmbio e juros, ambos refletindo a deterioração das condições políticas, para fechar a semana acumulando ganho de 0,83%, com giro enfraquecido nesta sexta-feira, a R$ 24,2 bilhões. Nesta sexta, indo além do dia moderadamente positivo em Wall Street - com Dow Jones e S&P 500 em novos recordes de fechamento -, em sessão na qual a economia americana voltou a mostrar vigor na leitura de julho sobre o mercado de trabalho, o índice da B3 fechou em alta de 0,97%, a 122.810,36 pontos, entre mínima de 121.567,74 e máxima de 123.286,75, saindo de abertura aos 121.632,79 pontos.

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Com o desempenho desta sexta-feira, o Ibovespa quebrou série de duas semanas negativas, nas quais havia acumulado perdas de 2,60% e 0,72%. No ano, sobe 3,19%.

Em viagem a Santa Catarina, após o cancelamento de reunião por Luiz Fux (STF) entre os poderes, o presidente da República, Jair Bolsonaro, manteve os ataques ao Judiciário, especialmente ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Roberto Barroso. Nesta sexta, Bolsonaro voltou a colocar em dúvida a lisura das eleições por urna eletrônica, sem voto impresso - voto derrotado por ampla margem em comissão da Câmara que avaliou a proposta, a qual, em tese, pode ressurgir no plenário da Casa.

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Por outro lado, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), assumiu nesta sexta posição clara contra as dúvidas lançadas sobre o processo eleitoral, e defendeu a retomada de agenda propositiva, a das reformas administrativa e tributária - o que agradou ao mercado. "Teremos eleições em 2022 legítimas", disse Pacheco, em um posicionamento público interpretado como oposição a que a ideia de voto impresso venha a ressuscitar no plenário da Câmara, sob a presidência de Arthur Lira (PP-AL) - o deputado ainda não se manifestou sobre o que pretende fazer.

"A incerteza ficou visível no câmbio e nos juros futuros, com o DI 25 chegando a 9,28% na máxima do dia, pela manhã, e à tarde se acomodando a 9,05% no fechamento, passando a viés de baixa na sessão ontem, no ajuste, estava em 9,085%. O dólar futuro chegou hoje a R$ 5,29. Na próxima semana, a tendência é que se continue muito atento a Bolsonaro, com relação à democracia e à briga com o STF, questão que traz tensão extra para o mercado, que não gosta de ruído", diz Cássio Bambirra, sócio da One Investimentos, escritório ligado ao BTG Pactual.

"Mercado recuperou hoje boa parte das perdas, principalmente no setor siderúrgico e em bancos, que haviam sido mais afetados. O mercado continua atento às questões fiscais e políticas, mas teve dia positivo, focando um pouco nos números das empresas e nos dados lá de fora, dos Estados Unidos, de reaquecimento da economia", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

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"O dólar se fortaleceu ainda pela manhã ante as moedas de emergentes, com os dados do payroll. Contudo, ao longo do dia, houve um arrefecimento desta alta do dólar aqui no Brasil, por conta de rumores de que a exclusão dos precatórios do teto de gastos não vai prosperar. Como estamos em um cenário de muita cautela por conta do tema fiscal, a volatilidade deve continuar", diz Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest.

Assim, com foco no 'payroll' americano e nas idas e vindas em Brasília, tanto na política como na gestão do fiscal, o Ibovespa encontrou algum fôlego para ajuste nesta sexta-feira, saindo de perdas nas duas sessões anteriores, com destaque para a de quarta-feira, quando o índice cedeu 1,44%.

Na B3, o dia foi de recuperação bem distribuída por ações e segmentos de maior peso, à exceção do desempenho misto de Petrobras (PN +0,14% e ON -0,55%) que, em dia e semana negativos para as cotações do petróleo, devolveu nesta sexta apenas uma leve fração dos ganhos de quinta, quando ambos os papéis reagiram ao balanço trimestral e à indicação da empresa sobre dividendos neste e no próximo ano.

Destaque para as ações de bancos, como Santander (Unit +3,97%), Itaú (PN +2,80%) e BB (ON +3,05%). Na ponta do Ibovespa, Eletrobras ON subiu 4,09%, à frente de Santander e de Embraer (+3,28%), No lado oposto, Americanas ON (-2,41%), após confirmação de contato preliminar sobre eventual interesse da empresa por Marisa, Klabin (-1,05%) e Fleury (-0,95%).