Economia

Ibovespa sobe 0,31%, a 115,1 mil pontos, melhor nível desde 14 de setembro

Da Redação ·

Mesmo com a retomada da percepção de risco no exterior ao longo da maior parte da sessão, o Ibovespa de pouco em pouco chegou nesta quarta-feira, 16, ao sétimo avanço consecutivo, com o dólar a R$ 5,1279 na mínima do dia, no fechamento, parecendo mostrar que o fluxo permanece de pé a despeito da orientação 'hawkish' da política monetária nos Estados Unidos e do conflito geopolítico no leste europeu, ainda distante de resolução. Assim, em dia de vencimento de opções sobre o índice, o Ibovespa fechou em leve alta de 0,31%, aos 115.180,95 pontos, entre mínima de 114.815,50 e máxima de 115.734,45, saindo de abertura aos 114.829,72. Reforçado pelo vencimento de opções, o giro foi a R$ 63,5 bilhões nesta quarta-feira. Na semana, a referência da B3 sobe 1,42% e, no mês, 2,71% - no ano, os ganhos chegam a 9,88%.

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"Havia setores muito largados, como varejo, e oportunidades em ações ainda muito baratas, como por exemplo Banco do Brasil que, como o Itaú, teve balanço bom e estava com P/L a 4 vezes - e é grande distribuidor de dividendos, um 'dividend yield' de 10% ao ano", diz Igor Barenboim, economista-chefe da Reach Capital. "Está no preço (dos ativos brasileiros) de que não haverá disciplina fiscal, mas também há uma correção em relação ao momento mais pessimista, o que se percebe também no câmbio. Em relação a emergentes como Índia, cara no momento, o Brasil tem se mostrado como uma opção para os estrangeiros", acrescenta.

Dessa forma, o Ibovespa retomou hoje a linha dos 115 mil pontos, não vista no intradia desde 16 de setembro passado, e obteve seu melhor nível de fechamento desde o dia 14 daquele mês, em série sem quebras que o aproxima dos oito ganhos consecutivos da virada de maio para junho de 2021.

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No exterior, a divulgação da ata do Federal Reserve, às 16h, contribuiu para redução das perdas vistas mais cedo nos três índices de ações em Nova York, bem como para acentuação da queda do índice DXY, que contrapõe o dólar a seis moedas, e dos juros dos Treasuries, especialmente do vencimento de dois anos, que passou da casa de 1,53% para a de 1,50%. Ao final, os índices de referência em Nova York mostravam sinais mistos, perto da estabilidade, entre baixa de 0,16% (Dow Jones) e leve ganho de 0,09% (S&P 500) na sessão.

O documento do Fed sinalizou redução "significativa" do balanço patrimonial da instituição, dado o alto volume atual, mas apenas após o início do ciclo de alta dos juros - que, segundo a expectativa de mercado, deve começar em março e se estender pelo ano. A falta de diretriz mais específica no texto foi interpretada como sinal de que o BC americano mantém em aberto a sintonia do ajuste sobre o volume de ativos na carteira, hoje em quase US$ 9 trilhões.

"Uma referência ao balanço era algo de se esperar na ata, mas acredito que o Fed, como é de seu costume, evitará movimentos bruscos e optará por aumentos de 0,25 ponto porcentual nas reuniões deste primeiro semestre, com uma reavaliação em agosto sobre o que fará a seguir", diz Barenboim.

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"Sem discussão explícita de uma data para o início da redução do balanço de ativos, ou da ideia de uma alta de 50 pontos-base do juro em março, a ata ficou do lado menos hawkish das expectativas. Mas ela não define nada, em razão dos dados de inflação e alta salarial mais fortes do que o esperado desde a reunião", observa a Pantheon Macroeconomics.

"A inflação americana batendo recorde de 40 anos, em dezembro e janeiro, e o mercado de trabalho americano superapertado corroboram, e foi dito pelo Fed, ser necessário o ajuste de política monetária. As minutas do Fed, hoje, trazem muito do último discurso do Jerome Powell (presidente do BC americano), mas de uma forma que contemporiza o risco, buscando ganhar tempo. A ata repete postura habitual do Powell, de uma 'step by step basis'", diz Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).

Tingas acrescenta que a visão da ata sobre o núcleo da inflação pelo PCE (métrica preferida do Fed) para este ano e o próximo é inconsistente com a realidade internacional, marcada por pressão sobre commodities como o petróleo, além do mercado de trabalho apertado no país. "O regresso da inflação nessa velocidade parece improvável, e isso dava motivação e ancorava posições fortes (de outros integrantes do Fed), como James Bullard (do Fed de St. Louis)", acrescenta o economista, ressalvando que um ajuste muito drástico poderia, por outro lado, resultar em "crash" dos mercados, "extremamente alavancados".

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"Uma correção muito rápida das taxas de juros, das condições de liquidez, poderia resultar em 'hard landing'. É compreensível então a atitude do Powell, de tentar baixar a fervura, contemporizando para tentar ganhar tempo", observa Tingas, para quem o Fed está num "corner", no qual terá que gastar muita "saliva" para fazer uma aterrissagem suave ao longo do tempo, ancorando expectativas. "Enquanto isso, os mercados vão ajustar prêmios de risco, vão realizar e sair de posições, mas não de uma vez só. Uma travessia com volatilidade e incerteza, mas sem chegar a um crash ou a um 'hard landing'", conclui o economista.

Na B3, o dia foi de recuperação para Petrobras (ON +2,20%, PN +1,39%) e para Vale (ON +0,73%) e também positivo para as ações de grandes bancos, à exceção de Itaú (PN -1,05%). Na ponta do Ibovespa, destaque para Assaí (+7,14%), CVC (+5,96%), Natura (+5,93%) e Carrefour Brasil (+5,31%), que divulgou balanço na noite de ontem. No lado oposto, WEG (-4,81%), JBS (-3,88%) e Alpargatas (-3,32%). "O BNDES colocou à venda mais de 50 milhões de ações da JBS no mercado, o correspondente a cerca de R$ 2 bilhões, com desconto de cerca de 3%, no regime de 'block trade'", diz Davi Lelis, sócio e especialista da Valor Investimentos.