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Ibovespa sobe 0,15%, aos 120,4 mil pontos, após Copom unânime

O câmbio seguiu pressionado, com o dólar à vista perto de R$ 5,47 na máxima desta quinta-feira, 20, pós-Copom, e o Ibovespa não encontrou força para estender a recuperação além dos 120 mil pontos, mesmo com a decisão unânime do Comitê de Política Monetári

Luís Eduardo Leal (via Agência Estado)

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Escrito por Luís Eduardo Leal (via Agência Estado)
Publicado em 20.06.2024, 17:58:00 Editado em 20.06.2024, 18:04:08
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O câmbio seguiu pressionado, com o dólar à vista perto de R$ 5,47 na máxima desta quinta-feira, 20, pós-Copom, e o Ibovespa não encontrou força para estender a recuperação além dos 120 mil pontos, mesmo com a decisão unânime do Comitê de Política Monetária pela manutenção da Selic a 10,50% ao ano, sem o dissenso da reunião anterior.

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A retomada das críticas do presidente Lula ao nível de juros não fugiu ao script esperado após os quatro diretores indicados pelo governo terem se alinhado, na quarta à noite, à ala majoritária do Copom, dos cinco mais antigos.

Nem a ventilação de novo nome "maduro" e "calejado" para substituir Roberto Campos Neto no comando do BC em 2025, como o do economista André Lara Resende - que seria do agrado de ala do PT desde que passou a abraçar ideias inovadoras, menos fiscalistas, em debate público que o afastou de parte do grupo originário do Real - chega a surpreender.

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Assim, com a expectativa de juros altos por mais tempo no Brasil, e dúvidas sobre a condução da política fiscal em ambiente de Selic ainda elevada e de desancoragem das expectativas de inflação, o Ibovespa voltou a mostrar hesitação, resvalando para o campo negativo na mínima do dia, aos 120.156,30 pontos, tendo avançado moderadamente nos dois dias anteriores.

Ao fim, mostrava leve ganho de 0,15%, aos 120.445,91 pontos, conseguindo testar a casa dos 121 mil na máxima desta quinta-feira, a 121.606,64 - nível que não era visto no intradia desde quarta, 12. O giro desta quinta ficou em R$ 21,1 bilhões. Na semana, o Ibovespa sobe 0,65%, ainda cedendo 1,35% no mês e 10,24% no ano.

"A decisão de ontem do Copom foi muito importante para o mercado. Decisão foi boa, conservadora e unânime, o que ajuda o BC a reconquistar parte da credibilidade, após o dissenso na reunião de maio", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. "A desancoragem das expectativas de inflação justifica a manutenção da Selic. Hoje, os vértices mais curtos da curva doméstica cederam, enquanto os mais longos, não, refletindo a retomada dos negócios com Treasuries em Nova York após o feriado por lá, ontem", acrescenta o analista.

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No Brasil, observa Spiess, "o ruído fiscal é um dos aspectos fundamentais para que se possa endereçar essa desancoragem" das expectativas de inflação, que resulta em prêmios na curva de juros doméstica, especialmente nos vértices mais longos. "Decisão de ontem ajuda no sentido do parar de piorar, mas há que se ver a reação do governo e acompanhar quem será o sucessor de Campos Neto no BC - o que será uma batalha."

Em entrevista a uma rádio do Ceará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta que o Banco Central, ao manter a Selic em 10,50% ao ano, optou por "investir no sistema financeiro". "Quem está perdendo é o Brasil, é o povo brasileiro", acrescentou. Lula associou o atual patamar dos juros à redução de investimentos internos, e defendeu "gastos necessários" em saúde, educação e no salário mínimo como políticas do atual mandato.

"A decisão unânime do Copom é positiva - mostrou independência das 'vontades do poder' -, mas declarações do presidente Lula ainda suscitam cautela", limitando a recuperação do Ibovespa nesta quinta-feira, observa Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. Nesse contexto, "o mercado segue muito atento aos movimentos do governo e a suas ações", acrescenta.

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Assim, mesmo com ativos "amassados" pela saída de recursos estrangeiros da B3 desde o começo do ano - até o dia 18, na terça, tal conta chegava a R$ 43,287 bilhões -, a perspectiva de uma recuperação sustentada para os preços das ações continua nebulosa, mesmo com cenário externo um pouco mais favorável, desde que o Federal Reserve manteve a porta aberta para um ou dois cortes na taxa de juros dos Estados Unidos ainda este ano.

"A razão Preço/Lucro do Ibovespa está em 7 vezes. Os múltiplos estão baixos, mas não se comparam ao auge da aversão a risco do governo Dilma, quando estavam em 6 vezes. Lula 3 não é Dilma 3 até porque a situação que se tem hoje é mais favorável, a começar pelo balanço de pagamentos. Mas é preciso torcer por Haddad, de que ele consiga convencer o chefe, o presidente Lula, de que o ajuste é necessário", diz Cesar Mikail, gestor de renda variável na Western Asset.

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"Todo governo começa fazendo 'maldade' o ajuste fiscal para depois poder distribuir 'bondade'. E o ajuste não veio ainda: quando vier de fato alguma indicação de corte de gastos, pode ser o início de uma melhora para os ativos brasileiros. A devolução da MP do PIS/Cofins pelo Senado, a pressão que se viu pelo lado das empresas, deixa claro que não dá para fazer mais pelo lado da arrecadação, é preciso cortar", acrescenta o gestor, observando que, sem ajuste, a ponta longa da curva de juros continuará a embutir mais prêmio, e o câmbio seguirá sob pressão.

"O investidor estrangeiro faz conta e se pergunta: por que comprar Brasil se não há uma história boa, e se os juros continuam altos também lá fora, com 'bonds' de crédito privado pagando 7%, 8% ao ano. Nos Estados Unidos, os juros estão altos ainda, mas a Bolsa bate recordes", diz Mikail.

Em Nova York, após o feriado de quarta, os rendimentos dos Treasuries avançaram em bloco na retomada dos negócios, e os índices de ações - exceção para o Dow Jones, em alta de 0,77% no fechamento - acomodaram-se após sucessivas renovações de máximas históricas para S&P 500 (nesta quinta -0,25%) e Nasdaq (-0,79%).

Na B3, o dia foi negativo para as ações cíclicas e de empresas com sensibilidade a juros, como as de varejo (Magazine Luiza -3,70%) e de construção (MRV -4,23%, na ponta perdedora do Ibovespa na sessão), após o Copom ter sinalizado interrupção ou mesmo, na avaliação de parte dos observadores, o fim do ciclo de cortes da Selic. Além de MRV e Magazine Luiza, destaque para Azul (-4,09%), Embraer (-2,31%) e Hypera (-2,11%). No lado oposto, PetroReconcavo (+4,85%), Usiminas (+3,68%), São Martinho (+3,53%) e CCR (+2,49%).

Entre os papéis de maior peso no índice, o desempenho refletiu a composição entre ganhos para as grandes ações de commodities - Petrobras (ON +2,02%, PN +1,59%) e Vale (ON +0,90%) - e perdas, ainda que moderadas, para as das maiores instituições financeiras, à exceção de Banco do Brasil (ON +0,46%) e Bradesco ON (+0,27%).

"O comunicado do BC não alterou o balanço de riscos e apresentou um cenário alternativo, com a taxa de juros mantida no nível atual para o horizonte relevante da política monetária e inflação próxima da meta em 2025. Ainda assim, não houve sinalizações de que poderemos ver um movimento de alta, o que não corrobora o embutido no mercado de DI - e que pode desencadear uma redução do prêmio e alívio na curva", observava nesta manhã a Guide Investimentos, em nota.

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