Economia

Ibovespa mira queda, com crise Rússia-Ucrânia e dias parados pelo carnaval

Da Redação ·

Apesar da alta da recuperação das bolsas europeias e indicação de alta na abertura em Nova York, o Ibovespa começa a sexta-feira em queda. A volatilidade e a busca por segurança podem ser crescentes por conta da ainda da cautela com o conflito Rússia e Ucrânia, além de ser hoje o último pregão da semana e do mês. Segunda e terça a B3 não abrirá por conta do carnaval, voltando somente quarta-feira após o almoço (por volta de 13 horas).

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Para completar, no dólar tem a "briga" da Ptax, o que pode também influenciar os negócios na Bolsa, bem como o balanço da Vale. A mineradora fechou o ano passado com lucro líquido de US$ 22,445 bilhões, 4,5 vezes maior do que o registrado no ano anterior. Porém, não foi recorde e, hoje, o minério de ferro na China caiu.

Por isso, o índice Bovespa tende a ter dificuldade em terminar fevereiro em alta considerável ou até mesmo em zerar a queda mensal, ainda que seja de apenas 0,49% até o momento. De todo modo, o recuo do mês ainda não assusta, dado que em janeiro fechou com alta de quase 7%. Ontem, encerrou a sessão em baixa de 0,37%, aos 111.591,87 pontos.

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"No Brasil, os ativos devem continuar atentos aos desdobramentos externos, sendo que a menor tensão da abertura deve ajudar. A pausa do carnaval estimula uma postura cautelosa por aqui", avalia em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria.

No entanto, a invasão russa na Ucrânia vai ganhando cada vez mais força, elevando a preocupação mundial. Neste sentido, cresce a expectativa com a reunião extraordinária da Otan para tratar da crise no Leste Europeu, bem como os desdobramentos dessa situação.

"Há um pouco mais de visão do que pode acontecer. Só que o grande ponto é o quanto esse conflito pode demorar, e o quanto isso afetará a recuperação das economias, que tentam sair da crise provocada pela pandemia de covid", avalia Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.

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Além disso, a agenda de indicadores tem dados com força para mexer com os negócios, com destaque para o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. O indicador de inflação preferido do Federal Reserve (Fed) será acompanhado com afinco, especialmente neste momento do conflito na Ucrânia. Ontem, a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, afirmou que vê como apropriado elevar juros na reunião de março da autoridade em 0,25 ponto porcentual, e depois seguir com mais altas nos próximos meses.

"Mesmo com sanções consideradas menos duras para a Rússia, se o PCE vier mais forte que o esperado, tende a pressionar o Fed por alta mais agressiva dos juros", avalia em nota o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Após cair em refletindo as sanções ocidentais contra a Rússia, pela invasão da Ucrânia, que pouparam o setor de energia, o petróleo sobe, o que pode aliviar ações do setor na Bolsa brasileira.

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Entretanto, o Exército da Rússia já chegam à Kiev, capital ucraniana, falando em "decapitar" o governo de Volodymyr Zelensky, o que tende a elevar a cautela externa e interna.

Apesar de sanções impostas pelo Ocidente à Rússia, Velloni, da Frente Corretora, explica que não é só o país que tende a sofrer, mas também muitos outros. "A Europa já tem uma pressão inflacionária forte e pode ter problemas por causa de medidas no setor de energia. Porém, o grande ponto é o quanto a China vai se comprometer com a Rússia ambos são alinhados", avalia.

A despeito da queda do Ibovespa, o economista-chefe da Frente Corretora pondera que o Ibovespa ainda está "barato", o que pode fazer com que o índice ainda avance no curto prazo. "E o mercado de commodities tem espaço para crescer", estima.

Além de ficar de olho no exterior, o investidor do Ibovespa ainda tem no radar a safra de balanços. A Americanas SA apresentou lucro líquido de R$ 490 milhões no quarto trimestre de 2021, uma alta de 20,5% em relação ao mesmo período de 2020. Ficam ainda no radar Hypera Pharma,JHSF e ressegurador IRB Brasil Re.

Às 10h06, o Ibovespa cedia 0,42%, aos 111.121,55 pontos.