Economia

Ibovespa fecha em queda de 1,60%, a 109,9 mil pontos, menor nível desde 24/1

Da Redação ·

Pressão sobre a inflação global em semana de deliberação sobre juros nos Estados Unidos - e também no Brasil, onde o governo estaria avaliando elevar o auxílio Brasil, em meio às discussões internas sobre subsídio direto ao diesel - manteve o Ibovespa na defensiva pela terceira sessão consecutiva, registrando nesta segunda-feira, assim como na última sexta-feira, perda acima de 1%. Na série iniciada em 3 de março, de oito sessões, a referência obteve ganho em apenas uma, no dia 9 (+2,43%). Se o recorte retroceder a 23 de fevereiro, véspera da invasão da Ucrânia pela Rússia, o índice conseguiu avançar em apenas três ocasiões - nos dias 25 de fevereiro (+1,39%) e 2 de março (+1,80%), ou seja, na sessão que antecedeu e na que sucedeu a pausa para o carnaval, além do mencionado dia 9.

continua após publicidade

Nesta segunda-feira, o Ibovespa fechou no menor nível desde 24 de janeiro (107.937,11), com baixa de 1,60%, a 109.927,62 pontos, entre mínima de 109.716,65, menor nível intradia desde o início da guerra na Ucrânia (109.125,24), e máxima de 112.298,93, também a pior marca desde a sessão de 24 de fevereiro (112.001,04). O giro financeiro ficou em R$ 29,0 bilhões. No mês, o Ibovespa acumula perda de 2,84%, limitando o ganho do ano a 4,87%.

A correia de transmissão de perdas nesta abertura de semana começou ainda na sessão asiática, onde Hong Kong cedeu nesta segunda-feira quase 5%, Xangai, 2,60%, e Shenzhen, quase 3%, em meio ao ressurgimento do coronavírus na China continental, com retomada de restrições no país.

continua após publicidade

"Além dos desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia, o aumento no número de casos em Shenzhen, um grande polo financeiro (da China), acabou por afetar os mercados", observa em nota a Nova Futura Investimentos, chamando atenção para a "política de covid zero adotada pelo Partido Comunista Chinês". A Nova Futura destaca a queda de quase 7% do minério de ferro negociado em Dalian, agora um pouco abaixo de US$ 120 por tonelada. O dia também foi de forte ajuste para as cotações do petróleo em Nova York e em Londres, em queda acima de 5% no fechamento da sessão.

O governo da China respondeu no domingo a um surto de casos de covid-19 confinando a cidade de Shenzhen, de 17,5 milhões de habitantes, e restringiu o acesso a Xangai ao suspender o serviço de ônibus. Todos em Shenzhen, um polo financeiro e tecnológico, terão de fazer três rodadas de testes para o vírus, após 60 novos casos terem sido registrados no domingo. Em todo o país, o governo reportou 1.938 novos casos no domingo, mais que o triplo do sábado. Em Xangai, cidade mais populosa do país, com 24 milhões de habitantes, o número de casos mais recente subiu de 15 para 432, o que fez a administração local recomendar que as pessoas não devem sair de casa, a menos que seja necessário.

Assim, em dia de agenda relativamente esvaziada no Brasil, e de atenção ainda voltada para os possíveis efeitos de eventual paralisação de caminhoneiros sobre a já pressionada economia doméstica, os investidores optaram mais uma vez pela cautela. Mesmo em alta, o desempenho das ações de grandes bancos (Santander +4,36%) foi insuficiente para equilibrar as perdas do índice, puxadas pela correção nas ações de commodities, em particular Vale ON (-5,36%).

continua após publicidade

A sessão também foi amplamente negativa para siderurgia (CSN ON -5,83%, Gerdau PN -4,47%) e para Petrobras (ON -1,26%, PN -1,91%). Na ponta de perdas, Magazine Luiza (-6,33%), à frente de CSN Mineração (-6,21%) e de CSN (ON -5,83%). No lado oposto, destaque para JHSF (+6,24%), Santander (+4,36%), Sabesp (+1,41%) e Itaú (PN +1,41% também).

"O mercado está procurando um novo equilíbrio em termos de preço, tanto em ativos de risco como em moedas e também em juros. Há volatilidade em todas as classes de ativos, incluindo renda fixa, com taxas abrindo também nos Treasuries. Há choque de oferta, dado o cenário em função da guerra na Ucrânia e novo 'lockdown' em algumas cidades chinesas, com inflação que já vinha muito alta no mundo. Há então busca por um novo patamar de equilíbrio, o que talvez implique em ativos de risco num nível um pouco mais baixo do que vimos até agora", diz Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group, chamando atenção para a sinalização que o Fed poderá dar esta semana com relação à velocidade de redução do balanço da instituição.

Aqui, a ideia de uma possível paralisação dos caminhoneiros em razão do aumento do preço dos combustíveis ainda divide a categoria. O caminhoneiro autônomo Wanderlei Loureira Alves, o "Dedeco", disse em nota ao Broadcast Agro que "as divergências são muitas, entre caminhoneiros e lideranças que são a favor de parar e os que são a favor de aumentar os fretes para suprir o aumento (dos combustíveis)".

continua após publicidade

No exterior, a atenção permanece concentrada no leste europeu. "A Ucrânia está pressionando pelo fim da guerra, com saída imediata das tropas russas. Os russos estão ouvindo, e as esperanças de que as negociações resultem em cessar-fogo podem parecer otimistas demais. Os russos continuam avançando com o ataque militar e isso deve limitar (exposição a) risco (nos mercados) até que uma grande redução (de tropas) seja confirmada", observa em nota Edward Moya, analista de mercado financeiro da Oanda em Nova York. "Wall Street espera entre seis e sete aumentos de juros este ano e se uma recessão europeia arrastar o crescimento global, pode complicar a agressividade do Fed" no aperto monetário, acrescenta o analista.

"A agenda deve contribuir para a manutenção de um maior grau de cautela nos próximos dias, com dados-chave da economia chinesa em fevereiro previstos para esta segunda-feira à noite - em meio às dificuldades sofridas pelo país com o salto do número de casos da Ômicron e a sua política de 'zero casos' - e as decisões sobre as taxas de juros do Fed (quarta-feira), Banco da Inglaterra (quinta-feira) e Banco do Japão (sexta-feira) entre os principais destaques na semana", aponta a Guide Investimentos.