Economia

Ibovespa emenda quarta perda, em baixa de 0,62%, a 114,3 mil pontos

Da Redação ·

Em dia de desempenho misto em Nova York, com o Nasdaq (-1,22%) refletindo dúvidas do mercado sobre o modelo de negócios da Netflix após a primeira retração em 10 anos no número de assinantes do serviço, e a indicação de que o volume de contas continuará em queda no segundo trimestre, o Ibovespa estendeu a série negativa pela quarta sessão, nesta quarta-feira em baixa de 0,62%, a 114.343,78 pontos, ainda no menor nível desde 17 de março (113.076,33).

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Nesta quarta-feira, o índice oscilou entre mínima de 113.945,48 e máxima de 115.056,66 pontos, da abertura, com giro financeiro a R$ 30,4 bilhões nesta véspera de feriado de Tiradentes, quando não haverá negócios na B3. Na semana, o Ibovespa cede 1,58% e, no mês, 4,71% - no acumulado do ano, limita o ganho a 9,08%.

No quadro mais amplo, em meio a preocupações quanto à desaceleração do crescimento chinês ante as iniciativas de lockdown para neutralizar a covid-19, e sinais de endurecimento das políticas monetárias nos Estados Unidos e na Europa para conter a inflação disseminada, os preços das commodities ainda buscam equilíbrio, com o petróleo mostrando alguma acomodação após recente sequência de recuperação.

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Com os preços da commodity em fechamento misto e variação moderada na sessão, Petrobras subiu nesta quarta 1,18% e 0,47%, respectivamente, na ON e PN.

Aqui, a temporada de balanços das empresas locais começa também a ir para os preços dos ativos, com forte reação negativa dos investidores aos números divulgados por Usiminas (PNA -6,34%), enquanto Vale (ON -2,60%), também no negativo na sessão, refletiu decepção com os dados sobre produção e vendas divulgados na noite de terça. "Os dados da Vale vieram um pouco abaixo, mas não mudam a perspectiva para a empresa", diz Naio Ino, gestor de renda variável da Western Asset. No ano, Vale ON acumula ganho de 13,76%

Liderando com folga as perdas do Ibovespa nesta quarta-feira, Natura fechou em queda de 15,58% - em meio a rumores de mercado quanto a prévias desfavoráveis para o balanço do primeiro trimestre, a ser divulgado em maio -, à frente na sessão de Cogna (-7,32%), de Usiminas (-6,34%) e de Banco Inter (-6,10%), que vinha em recuperação e nesta quarta refletiu em parte o ajuste negativo das ações do segmento de tecnologia em Nova York. Refletindo também cautela quanto ao segmento de consumo, Magazine Luiza cedeu nesta quarta 5,56%, na lista de maiores perdas do Ibovespa.

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"O fluxo estrangeiro para as ações na B3 tem se mostrado mais errático, o que em parte reflete uma realização de lucros, lembrando que o movimento começou ainda em novembro e se estendeu a março, uma série longa. Natural uma pausa após o estrangeiro ter se mantido tanto tempo na compra, dia a dia", acrescenta Naio.

"Talvez seja cedo para dizer que (o fluxo) acabou, mas, em comparação aos três primeiros meses do ano, a tendência já não é tão clara. Há dias em que o estrangeiro compra, e depois sequências de venda", observa o gestor, destacando que a inflação global e o ritmo de ajuste das políticas monetárias para contê-la permanecem como pontos focais de dúvida entre os investidores.

Após ter chegado a 121,5 mil pontos no primeiro fechamento de abril, e encerrado a sessão seguinte aos 121,2 mil pontos, desde então o movimento da referência da B3 tem sido descendente, passando dos 118,8 mil pontos, no encerramento do dia 5, para 114,3 mil pontos no desta quarta - um ajuste de 7.226,37 pontos desde a abertura do mês. "A região dos 114 aos 115 mil pontos se mostrava como um suporte e, nas próximas sessões, o Ibovespa pode migrar para um patamar ainda mais baixo, na faixa de 110 a 111 mil pontos", diz Armstrong Hashimoto, sócio e operador da mesa de renda variável da Venice Investimentos.

Para Hashimoto, além das questões relacionadas ao desempenho das commodities, em meio a incertezas sobre a demanda mundial em cenário de desaceleração na China e de correção das políticas monetárias, o "cavalo de pau" nas ações da Netflix, observado desde o pós-mercado de terça em Nova York, e a correção vista nesta quarta em Natura, na B3, sugerem um quadro de maior cautela para o "consumo discricionário", à medida que a temporada de balanços locais começa também a ganhar dinamismo.