Economia

Ibovespa cai de olho em Nova York e com recuo de ações ligadas a commodities

Da Redação ·

Apesar da alta das bolsas europeias e do índice Dow Jones de Nova York, o Ibovespa cai desde o começo do pregão, que antecede o feriado de Tiradentes, quando o mercado doméstico ficará fechado. Além disso, o quadro de cautela leva em consideração temores fiscais locais diante da possibilidade de o pagamento do Auxílio Brasil tornar-se permanente, paralisações de servidores, ainda que parte dos funcionários do Banco Central tenha decidido retornar às atividades, dados fracos da Vale e estimativas de crescimento mundial fraco.

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Ontem, o índice Bovespa fechou em baixa de 0,55%, aos 115.056,66 pontos. A expectativa é de liquidez baixa hoje. Às 11h13, caía 0,67%, aos 114.280,45 pontos, ante mínima diária aos 114.150,32 pontos (-0,79%).

Além do recuo de 6,0% na produção de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre ante os três primeiros meses de 2021, as vendas da commodity pela brasileira cederam 9,6% no período em análise, bem como projeções menos robustas. As ações da companhia caíam 3,54% perto de 11 horas, também refletindo o recuo de 1,37% do minério no porto chinês de Qingdao, a US$ 141,12 a tonelada.

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O declínio da matéria-prima contamina não só as ações da Vale, mas as de todo o segmento metálico no Ibovespa, à medida que tende a diminuir o faturamento da empresa, bem como de outras companhias ligadas ao setor, dado que a China enfrenta problemas de produção de aço por conta do lockdown para conter a nova onda de covid em algumas províncias. Para completar, incomoda o mercado a atuação considerada tímida do PBoC - como é conhecido o Banco Central da China - que decidiu manter suas taxas de juros de referência, relutando em relaxar sua política monetária de forma mais agressiva para estimular a economia.

Além da piora nas ações do setor de commodities no Ibovespa, as bolsas de Nova York também perdiam fôlego. Por lá, apenas o Dow Jones subia (0,57%), o S&P 500 caía 0,05% e o Nasdaq cedia 1,00%. Nos Estados Unidos, uma das influências é o balanço da Netflix, cujos papéis recuam mais de 30%, após a empresa anunciar queda no lucro. Aqui, afirma Dennis Esteves, especialista de renda variável da Blue3, ainda pesam as reduções nas projeções do FMI para o crescimento mundial e a China.

"Segue a influência principalmente da China, FMI, com projeções menores para o PIB global e o chinês anunciadas ontem. Além disso, seguem crescentes as preocupações com a covid na china, onde há possibilidade de medidas restritivas atingirem mais cidades. Dados da Vale contaminam o setor também", afirma. Às 11h03, o Ibovespa caía 0,74%, aos 114.202,64 pontos, na mínima diária. Vale ON cedia 3,62%; CSN ON recuava 4,42% e Usiminas PNA, 5,11%. Petrobras perdia 0,66% (PN) e 0,46% (ON).

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O mercado ainda segue de olho em falas de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), esperadas para hoje, diz Rodrigo Jolig, sócio da Alphatree Capital, à medida que crescem as expectativas em relação à reunião de política monetária do país (3 e 4 de maio). Amanhã quando a B3 estará fechada, deve ser a último dia em que o presidente do Fed, Jerome Powell, falará antes do encontro do Fomc, podendo reforçar alta de meio ponto no juro. "São as falas dos diretores do Fed que vão ditar os negócios. Os juros dos títulos dos EUA caem, corrigindo um pouco, mas podem ter volatilidade. Vai depender do que o Fed indicar", diz Jolig.

"Não há uma história única para definir os comportamento dos mercados", diz em comentário o economista-chefe do BV, Roberto Padovani. Na Europa, cita, prevalece a preocupação com a nova fase da guerra na Ucrânia e inflação forte na Alemanha, apesar de a produção industrial da zona do euro ter ficado em linha. "Dia de balanços, mais diretores do Fed falando, o que reforça cautela, e o feriado Brasil deve deixar o investidor na defensiva", estima.

Fica ainda no radar ainda a divulgação do Livro Bege do BC norte-americano, sobre as condições da economia do país.

As ações da Eletrobras subiam 2,90% (PNB) e ON (2,22%). O ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU), confirmou ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que vai pedir vista (mais tempo para analisar o processo) de 60 dias da privatização da Eletrobras, em julgamento que vai começar daqui a algumas horas na Corte de Contas - a sessão começa às 14h30.