Economia

Ibovespa cai 2,52%, a 111,5 mil, com foco na Petrobras

Da Redação ·

Com o petróleo Brent bem perto de US$ 140, a US$ 139,13 na máxima desta segunda-feira, 7, aproximando-se do recorde histórico de 2008, e novas articulações do governo para que a Petrobras dê contribuição para que a volatilidade das cotações internacionais não pressione ainda mais a inflação, o Ibovespa iniciou a semana em queda de 2,52%, a 111.593,46 pontos. Entre as blue chips, Petrobras (ON -7,65%, PN -7,10%) foi o destaque negativo, à frente das perdas entre os grandes bancos, que chegaram a 4,28% (BB ON). Vale ON (+3,04%) foi a estrela solitária, porém incapaz de impedir a correção do Ibovespa, em dia de forte avanço, de 5,67%, para o minério de ferro na China (Qingdao), a US$ 161,65 por tonelada, o maior nível desde agosto.

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As empresas aéreas Azul (-18,00%), Gol (-17,36%) e a de viagens CVC (-10,49%) lideraram as perdas da carteira Ibovespa na sessão, com Bradespar (+3,60%), Vale e Rumo (+1,97%) na ponta oposta - apenas oito ações do índice conseguiram avançar nesta segunda-feira.

Após a rápida ofensiva nos dois primeiros dias de invasão, o confronto Rússia-Ucrânia, apesar da desigualdade de meios militares, vai assumindo feição de guerra prolongada - como o próprio conflito civil no leste ucraniano, desde 2014 -, sem que Vladimir Putin consiga impor sua vontade pela força, e sem que o governo ucraniano encontre bases mínimas para negociação que não implique capitulação incondicional. Hoje, na Belarus, ocorreu a terceira rodada de conversas, sem avanços significativos sequer na questão dos corredores humanitários, anunciados no sábado pela Rússia - na prática do que se viu até ontem, sem a devida efetivação.

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Em meio ao isolamento moral, econômico e financeiro da Rússia, o passo seguinte, talvez o mais difícil de todos, seja o embargo às exportações de petróleo e gás do país - algo que a Europa, em especial a Alemanha, teria dificuldade em lidar, pela dependência energética daquele grande produtor, agora no papel de pária mundial. Assim, na névoa da guerra, os preços das commodities continuam a mudar de patamar, aceleradamente, reforçando a perspectiva de estagflação global. Nas principais bolsas da Ásia, as perdas desta segunda-feira chegaram a 3,87% (Hong Kong); nas da Europa, a 1,98% (Frankfurt), e em Nova York, a 3,62% (Nasdaq).

Na B3, o Ibovespa oscilou entre mínima de 111.139,62 (-2,91%) do fim da tarde - menor nível intradia desde 25 de fevereiro, então o segundo dia da invasão da Ucrânia pela Rússia, a 110.673,29 - e máxima de 114.529,28, saindo de abertura aos 114.468,77 pontos, com giro financeiro reforçado, a R$ 41,0 bilhões na sessão. No mês, o índice cede agora 1,37%, ainda avançando 6,46% no ano.

Os ministros Paulo Guedes (Economia) e Ciro Nogueira (Casa Civil) se reuniriam ainda nesta segunda-feira no Palácio do Planalto, apurou o Broadcast. O encontro, marcado para as 16h15, não constava das agendas oficiais, em meio à queda de braço no governo sobre a melhor forma de evitar o repasse pela Petrobras do salto do petróleo.

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A disparada do preço internacional do petróleo com o aumento da tensão diante da guerra levou o governo a começar a discutir um congelamento temporário do preço de combustíveis pela Petrobras, reporta de Brasília a jornalista Adriana Fernandes, de O Estado de S. Paulo. O desdobramento contribuía para que o Ibovespa acompanhasse a piora observada em Nova York, onde os três índices de referência também buscaram novas mínimas para a sessão perto do fechamento.

"O setor público deve reagir por meio da redução do ICMS, é o que se espera. Mas o mercado está de olho, acompanhando de perto, até pela coincidência com a mudança anunciada para o Conselho de Administração (da Petrobras, no fim de semana). Nada pessoal, a não ser pelo momento, que pode ter chamado atenção do mercado", diz Alexandre Brito, sócio da Finacap Investimentos. Em substituição ao almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, o governo indicou o presidente do Flamengo e ex-presidente da BR Distribuidora (2003-2006), Rodolfo Landim, considerado próximo ao presidente Jair Bolsonaro, para a presidência do conselho da estatal.

"Na prática, a Petrobras não vem exercendo a paridade internacional nos preços e, ainda assim, tem obtido geração de receita bem interessante, o que se mantém. Mas eventual controle na ponta, na bomba, como se viu lá atrás, é um ponto de atenção para o mercado - ou seja, o risco de se usar o balanço da Petrobras", acrescenta.

Brito observa também que, se a inflação volta a ser preocupação aguda por um lado, com consequências já perceptíveis na curva de juros, por outro a B3 tende a se manter entre as praças emergentes alternativas, com a realocação de recursos em bolsa a partir do isolamento da Rússia, outro mercado de forte conteúdo em commodities. "O fluxo (para B3) prossegue em março."