Economia

Ibovespa cai 0,88%, a 108,9 mil pontos, na véspera do Copom e do Fed

Da Redação ·

Preocupações com relação à China em meio a novo avanço da covid-19, e a política de "zero caso" perseguida pelo governo chinês com retomada de restrições sociais, somam-se à falta de evolução palpável entre Rússia e Ucrânia por uma solução diplomática para o conflito no leste europeu, combinação que sustenta o tom menor visto na B3, onde o Ibovespa estendeu hoje série negativa pelo quarto dia seguido - as três últimas com correção diária acima de 1%.

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Nesta terça-feira, mesmo com ganhos que chegaram a 2,92% em Nova York - colocando os três índices de referência no positivo neste começo de semana -, o Ibovespa fechou em baixa de 0,88%, a 108.959,30 pontos.

Como na segunda-feira, no menor nível de encerramento desde 24 de janeiro (107.937,11). Nesta terça, oscilou entre mínima de 107.780,86 pontos, menor nível intradia desde 25 de janeiro (107.185,38), e máxima de 109.924,54 pontos, da abertura. O giro ficou em R$ 35,8 bilhões na sessão. Na semana, o Ibovespa cede 2,47% e, no mês, 3,70% - no ano limita os ganhos a 3,95%. Nas últimas quatro sessões, acumulou perda de 4,33%.

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"O fator positivo do dia foi que a queda das commodities deu uma segurada nos DIs. Há muita atenção amanhã para os sinais que virão do Copom e do Fed, especialmente os do BC americano: no início do ano, a expectativa de mercado era por três ou quatro aumentos em 2022, e agora já se precificavam sete elevações", diz Nicolas Farto, especialista em renda variável da Renova Invest. "Os dados da China, sobre produção industrial e vendas do varejo (em janeiro e fevereiro), foram bons, acima do esperado, mas a atenção está agora na retomada de lockdown em Shenzhen, importante centro financeiro do país, o que está produzindo reflexo generalizado nas commodities, principalmente o petróleo", acrescenta.

A Monte Bravo Investimentos chama atenção para desdobramentos recentes na esfera doméstica e também na externa: o Ministério Público solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) a apuração de possível interferência indevida do governo na política de preços da Petrobras; e o corte, na segunda-feira, pelo Morgan Stanley, da projeção de PIB para a China no primeiro trimestre de 2022, em 0,6 ponto porcentual, após o novo surto de covid-19 no país, que resultou em retomada de restrições em algumas grandes cidades, com potencial de afetar o ritmo da economia como um todo e a demanda por matérias-primas - bem como a perspectiva para os preços.

Os novos casos diários de covid-19 na China mais que dobraram, alimentados por surto cada vez pior no nordeste de Jilin, o que fez com que as autoridades proibissem as viagens de ou para a província e restringissem a movimentação de milhões de residentes.

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Neste cenário de incerteza, o mercado se mantém "tenso" e passa a focar a "super-quarta", com decisões de política monetária, no Brasil e nos Estados Unidos, aponta Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo. "O recuo das commodities, de todas elas, especialmente o petróleo, negociado hoje abaixo de US$ 100 por barril, mas também dos grãos, teve impacto direto nos DIs, todos no campo negativo (na sessão), com algum arrefecimento da percepção sobre a inflação", diz Madruga.

Na ponta negativa do Ibovespa nesta terça-feira, destaque para Magazine Luiza (-8,63%), após a divulgação de resultados trimestrais abaixo do consenso, na noite de segunda-feira. Com o ajuste nas commodities, especialmente no minério de ferro (em queda de 5,23% em Qingdao, na China), o índice de materiais esteve entre os punidos do dia. Logo após Magalu, destaque nesta terça-feira para CSN Mineração (-5,30%), Gerdau PN (-4,54, na mínima do dia no fechamento), Usiminas (-4,29%) e CSN (-4,19%). Na ponta oposta, Azul (+6,91%), Petz (+5,87%), Cielo (+5,33%) e Natura (+5,16%).

Nos segmentos de maior peso no índice, o dia foi negativo tanto para Petrobras (ON -1,86%, PN -2,42%) e Vale (ON -2,87%) como para as ações de grandes bancos, com perdas mais moderadas, limitadas a 1,33% na sessão (Unit do Santander).

"Entre os 107,8 mil e os 110 mil pontos, o Ibovespa se mantém em indefinição. Se perder, em fechamento, suporte na zona de 107,5 a 108 mil pontos, tende a buscar os 105 mil e os 103 mil, antes de eventualmente convergir para os 100 mil pontos. Por outro lado, precisará de uma vela forte acima dos 110 mil para chegar aos 115,9, 116 mil pontos, limiar a partir do qual firmaria tendência de alta, que chegou a ser vista este ano. Mas é preciso de notícia boa para levar pra cima, o gráfico não opera sozinho", diz Farto, da Renova Invest.