Economia

Ibovespa cai 0,11%, a 98,9 mil na sessão, mas avança 2,46% na semana

Luís Eduardo Leal (via Agência Estado) ·
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O Ibovespa resistiu a princípio, mas acabou cedendo ao aprofundamento de perdas em Nova York no meio da tarde, e também à pressão do câmbio, com dólar retomando a marca de R$ 5,50 nas máximas do dia. Ainda assim, o índice de ações acumulou ganho de 2,46% na semana, vindo de perda de 3,73% na anterior. Ao fim, entre mínima de 98.321,23 e máxima de 99.724,23 pontos, encerrou o dia em leve baixa de 0,11%, aos 98.924,82 pontos, com giro ainda fraco, a R$ 18,3 bilhões nesta sexta-feira. No mês, a referência da B3 permanece positiva (+0,39%), com perdas no ano a 5,63%.

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A sessão foi favorável às ações de commodities, tanto para Petrobras (ON +1,08%, PN +1,07%) - no dia seguinte à divulgação de dados de produção da estatal - como para Vale (ON +0,93%). As cotações do petróleo recuaram nesta sexta-feira, enquanto o minério teve recuperação, em alta de 3,57%, a US$ 100,64 por tonelada, em Dalian (China), aponta em nota a Nova Futura Investimentos.

As siderúrgicas fecharam na maioria em baixa (Usiminas PNA -1,55%, CSN ON -0,35%), assim como os grandes bancos (Santander -2,72%, Bradesco PN -1,27%, Itaú PN -1,06%). Na ponta negativa do Ibovespa, IRB (-8,26%), Americanas ON (-5,91%) e Magazine Luiza (-4,98%). No lado oposto, BRF (+4,62%), Suzano (+2,78%) e Sabesp (+2,76%).

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Até o começo da tarde, o Ibovespa parecia a caminho do sexto ganho seguido, mas acabou interrompendo a série no quinto avanço, ainda assim uma sequência que não era vista desde meados de maio. A sexta-feira contou com poucos 'drivers' domésticos para orientar os negócios. "O noticiário local continua morno e com pouco impacto nos preços", observa em nota a Terra Investimentos.

"Hoje foi dia de realização (de lucro) sem uma grande história, tanto aqui como lá fora. Temos estado colados, com dinâmica parecida no que se refere às bolsas. Apesar de todo ruído que temos no mercado local com relação às preocupações com o fiscal, (refletidas na) curva de juros e câmbio, a Bolsa tem seguido o comportamento de fora, e hoje não foi diferente", diz Naio Ino, gestor de renda variável da Western Asset.

Ele destaca também alguma recuperação, na semana, de ações ligadas ao comércio eletrônico, como também em geral as de "growth" (crescimento), entre as quais techs, ainda muito amassadas no ano. "Hoje sofreram um pouco. E as commodities na contramão, respirando na sessão, ajudaram o Ibovespa a não cair tanto quanto lá fora", acrescenta o gestor. O índice de consumo acumulou ganho de 1,36% na semana, mas hoje cedeu 0,49% (no mês, sobe 6,26%), enquanto o de materiais básicos avançou nesta sexta-feira 0,67%, em alta de 2,82% na semana, mas ainda recuando 4,59% no mês.

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O mercado financeiro está bastante otimista sobre o desempenho das ações no curtíssimo prazo, como indica a fatia de quase 90% (88,89%) de respostas apontando que a próxima semana deve ser de alta para o Ibovespa, no Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Nenhum dos participantes afirmou prever queda para o índice no período entre 25 e 29 de julho, enquanto apenas 11,11% esperam variação neutra. No último Termômetro, 64,29% acreditavam em avanço para o Ibovespa nesta semana; 21,43% em estabilidade; e 14,29%, em queda.

O monitoramento do CME Group mostrava nesta tarde um crescimento da possibilidade de que o Federal Reserve eleve os juros em 75 pontos-base na reunião de política monetária da próxima quarta-feira. Após dados fracos, divulgados mais cedo nos Estados Unidos, essa chance estava em 81,1% segundo o CME Group, de 72,1% ontem. Já para uma elevação de 100 pontos-base, recuava a 18,9% (de 27,9% ontem).

Na Europa, apesar de ruins, as leituras preliminares sobre o ritmo de atividade (PMIs) em julho, divulgadas logo cedo, não chegaram a contaminar os principais mercados do continente, que fecharam o dia com leves ganhos. "A chance de uma recessão na região já é altamente provável. O índice de gerentes de compras para o setor industrial caiu para nível contracionista em julho (49,6), enquanto o referente ao setor de serviços também desacelerou para próximo de estabilidade (50,6)" na zona do euro, observa em nota a Guide Investimentos.

Para a consultoria Capital Economics, os dados sugerem que a região "está à beira da recessão devido à queda da demanda e ao aumento dos custos", leitura que contrasta com o que disse ontem a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde. O PMI composto, que engloba os setores de serviços e indústria, caiu de 52 a 49,4 entre junho e julho, segundo a leitura preliminar do mês. Para a Capital, o resultado indica que o PIB do bloco monetário já recua no começo do terceiro trimestre.