Economia

Fed abandonará política monetária atual sem prejudicar expansão, diz dirigente

Da Redação ·

Presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de São Francisco, Mary Daly disse que o BC dos Estados Unidos irá abandonar gradualmente sua política monetária muito relaxada, sem colocar a perder a expansão econômica do país. Durante entrevista exclusiva ao Market Watch nesta quarta-feira, ela disse esperar total apoio a uma elevação de juros na próxima reunião, de março. "É evidente que a inflação está muito elevada e o mercado de trabalho está forte, portanto temos realmente de agir", afirmou.

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Depois disso, o momento de mais altas "graduais" depende dos indicadores. Ela afirmou esperar que os juros subam ao longo do ano, "mas o quanto e quão rapidamente e durante quais reuniões - essas coisas vou deixar em aberto".

Neste ano sem direito a voto nas decisões de política monetária, Daly disse que a economia americana continuará a se expandir, mas em ritmo menor. "Eu não avalio que nossos ajustes políticos atrapalharão os fundamentos básicos de um mercado de trabalho forte", comentou.

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Na entrevista, ela não quis dar uma definição para "ritmo gradual" no aperto monetário. "Estou com a mente muito aberta, muito dependente dos dados em relação a isso", afirmou.

Sobre os planos de reduzir o balanço, Daly disse pensar que o Fed poderia começar a fazer isso mais cedo que no ciclo anterior e em ritmo mais rápido, mas sem especificar o processo. Segundo ela, caberá a todos os dirigentes essa decisão. Há uma concordância disseminada sobre como aumentar o balanço impulsiona a economia durante momentos de baixa, mas há muito menos acordo sobre o efeito de o Fed reduzir o balanço, notou. "É uma ferramenta secundária."

Questionada sobre sua projeção para a inflação no fim deste ano, Daly disse que é improvável que o Fed possa levá-la de volta à meta de 2% ainda em 2022. "Queremos ver um movimento de baixa na inflação e sinto confiança de que poderemos ter pressão de baixa sobre a inflação", afirmou.

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A presidente do Fed de São Francisco ainda se mostrou otimista de que, após a onda de casos da variante Ômicron da covid-19 ter sido superada, o crescimento econômico será "robusto". Segundo ela, uma taxa de crescimento sustentável para os EUA neste momento deve estar na faixa entre 1,8% e 2%.

Ela ainda disse que, mesmo com quatro ou cinco elevações de juros neste ano, o Fed seguiria abaixo do nível "neutro" de 2,5% da taxa básica, portanto ainda apoiaria o mercado de trabalho. Ela afirmou não ver evidência de que o mercado de trabalho está excessivamente aquecido. Ainda segundo a dirigente, ela foi otimista demais sobre o fim da pandemia, num primeiro momento. As ondas de casos do novo coronavírus têm provocado desequilíbrios que no fim das contas impulsionam a inflação, afirmou ela.