Economia

Exterior ajuda Ibovespa a recuperar parte das perdas, mas Petrobras fica no radar

Da Redação ·

Depois do tombo nas bolsas ontem, a quarta-feira indica que será de recuperação das bolsas internacionais, o que também tende a influenciar o Ibovespa, ainda que as dúvidas continuem as mesmas aqui e no exterior. Lá fora, espera-se algum sinal a respeito do início da retirada dos estímulos econômicos americanos por parte do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, em discurso no fim da manhã. Além disso, segue o impasse em relação ao teto da dívida norte-americana, que pode paralisar o governo daquele país, se o novo orçamento não for aprovado até amanhã. Já no Brasil, o noticiário envolvendo a Petrobras pode voltar a incomodar e impedir alta expressiva do Ibovespa.

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As bolsas europeias e as de Nova York sobem, enquanto os juros das Treasuries caem, depois da alta de ontem.

O mau humor no mundo tem sido puxado por uma série de fatores. Entre eles, Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos, cita exatamente a alta nas taxas de juros futuras nos EUA, que reagem ao fim próximo dos estímulos monetários por parte do Banco Central americano.

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Este movimento, explica em nota, acaba por pressionar principalmente ações de companhias de crescimento. "Isso porque essas empresas terão seu financiamento mais caro diante de juros de longo prazo mais altos, além de seu valor hoje em um nível menor (quando considerado o quanto valerão no futuro, algo que chamamos de valor presente, em finanças)", diz.

O índice Bovespa fechou ontem com recuo de 3,05% (110.123,85 pontos), elevando as perdas no antepenúltimo dia do mês para 7,29%. A queda, em parte, foi puxada pelo declínio das ações da Petrobras, em meio ao desconforto de investidores diante da interpretação de sinais de ingerência política na empresa. Logo após a estatal anunciar reajuste de 8,9% no diesel na refinaria a partir de hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), reclamou do alto preço dos combustíveis e anunciou uma reunião, para hoje, com líderes da Casa para discutir o assunto.

Agora, fica a expectativa para o que sairá do encontro. Lira disse que o Congresso Nacional vai debater um projeto de lei para fixar o valor do ICMS, uma das principais fontes de arrecadação dos Estados - e sinalizou apoio à proposta.

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Também fica no radar a informação de que o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, teria alertado o presidente Jair Bolsonaro que um reajuste dos combustíveis era inevitável em razão da defasagem dos preços ante o mercado externo, informa a CNN Brasil.

Ao mesmo tempo, o petróleo recua levemente no exterior, o que pode limitar alta das ações da companhia e consequentemente do Ibovespa, assim como o recuo de 6,08% do minério de ferro no porto chinês de Qingdao (US$ 112,06 a tonelada).

Por lá e na Europa seguem preocupações com questões de energia. No continente europeu, o gás natural sobe com apreensão por desabastecimento. Já na China, as medidas para conter problemas climáticos estão elevando preocupações sobre produção na indústria e consequente encarecimento de produtos. Às 10h44, as ações da Petrobras cediam 0,04% (PN) e 0,29% (ON), enquanto Vale ON subia 0,84% e CSN ON perdia 0,11%.

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Ainda que caminhe para um dia positivo, o mês de setembro será negativo não só para o Ibovespa, mas também para as bolsas americanas. Como lembra Jennie Lee, estrategista de Ações da XP, historicamente setembro costuma ser negativo nas bolsas, devendo ser o primeiro mês em que o S&P 500 encerra com recuo, após sete meses de alta.

Ainda que o quadro relacionado ao fiscal no Brasil continue incerto, como destacou nesta manhã a diretora-gerente da Fitch, Shelly Shetty, o mercado de trabalho continua dando sinais de recuperação. Em agosto, foram criadas 372.265 vagas com carteira assinada no País, conforme o Caged. O dado superou o de julho (303.276 vagas) e a mediana das expectativas na pesquisa Projeções Broadcast, de 330 mil (100 mil a 426.078 postos).

No caso das questões fiscais, a Fitch alertou que o Brasil pode sofrer downgrade em sua nota de crédito por causa dos problemas com o teto de gastos que minem âncora fiscal. Shelly Shetty disse ainda que um choque político no País pode ser negativo para o rating do Brasil. Devido a incertezas sobre manutenção do teto, talvez seja necessária a alta de impostos, disse.

Às 10h45, o Ibovespa subia 0,27%, aos 110.424,25 pontos, após máxima a 111.224,19 pontos.