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Durigan: Não devemos pegar nossa principal potência, o agronegócio, e fazer terra arrasada

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que o agronegócio brasileiro tem enfrentado problemas, mas defendeu que não se deve pegar a principal potência do País e fazer dela "terra arrasada".

"A inadimplência do agronegócio, historicamente, era em torno de 2%. Está batendo 6%, então aumentou bastante. É um problema", disse Durigan em entrevista à CNN Brasil, na noite desta quinta-feira. "Agora veja, 94% das operações do agro estão em dinheiro. O que a gente viu foram safras que foram crescendo durante o tempo. Então, é importante a gente não pegar a nossa principal potência econômica, que é o agronegócio, e fazer terra arrasada, porque não é o caso"

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Ao relatar conversas recentes com senadores, ele disse que o texto do Congresso não pode contemplar "toda e qualquer dívida agrícola, inclusive dívida adimplente, dívida de quem não precisa de renegociação".

Segundo ele, nesse hipótese ampla, o sistema financeiro acabará onerado e o próprio agricultor será prejudicado. "Nós podemos criar um problema de restrição de crédito", argumentou. "Se você vier em um grande projeto e disser assim, toda e qualquer taxa de juros para o agronegócio tem que ser limitada a 10%, 12%, como se chegou a conversar, o que vai acontecer é um tiro no pé do agronegócio, porque nós vamos ter restrição de crédito".

O titular da Fazenda defendeu a restrição das dívidas contempladas, "porque a gente tem que focar em quem está inadimplente". Ele disse topar fazer uma renegociação pactuada com o Congresso Nacional, com extensão de prazo, alteração do manual de crédito agrícola e mudança em carência, "só que nós não podemos esticar demais no âmbito do projeto, prejudicando o próprio agro".

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Ele defendeu uma reconstrução do projeto em discussão no Senado. "A gente vai construir uma saída, junto com o agro, para que a gente dê um passo melhor, não só um passo que a gente queira fazer uma coisa mais ampla, talvez fosse mais simbólica, mais forte politicamente, mas que não gerasse os efeitos esperados por ele, inclusive".

Na sequência, ele explicou a discussão do fundo garantidor, dizendo que há alguns casos, em especial dos arrendatários, em que eles não têm o que dar em garantia para tomar crédito. "Não pode ser uma coisa do governo. Ah, o governo vai criar um novo fundo público para isso. Porque isso não é moderno, isso não é satisfatório para a demanda que tem. Se a gente pegar o exemplo bem-sucedido, que é o fundo garantidor de crédito, eu disse que toparia discutir".

No entanto, Durigan disse que esse fundo não seria para imediatamente," porque a situação fiscal no País é complexa, mas que a gente estruture um fundo garantidor que ajude o agro nessas situações de inadimplência e de acesso ao crédito".

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