Economia

Dólar toca R$ 5,53, mas perde força com melhora externa e fecha a R$ 5,4861

Da Redação ·

Após uma escalada pela manhã e no início da tarde, quando não apenas furou o teto de R$ 5,50 como tocou o patamar de R$ 5,53, o dólar à vista perdeu força nas últimas horas de negócios e acabou encerrando a sessão desta quarta-feira, 6, praticamente estável, na casa de R$ 5,48.

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A desaceleração dos ganhos da moeda americana por aqui foi concomitante à melhora do apetite ao risco no exterior, com virada das bolsas em Nova York para o campo positivo, após sinais de acordo provisório entre Republicanos e Democratas para elevação do teto da dívida nos Estados Unidos. Entre as divisas emergentes, o peso mexicano e o rand sul-africano, considerados os principais pares do real, também zeraram as perdas em relação ao dólar.

Também teria contribuído para a reação do real o aumento de rumores nas mesas de operação de que o Banco Central poderia, a partir de quinta-feira, aumentar as intervenções no mercado de câmbio, com ampliação da oferta de swaps cambiais e até realização de leilões de venda de dólares à vista. Isso teria levado à realização de lucros e desmonte parcial de operações especulativas com dólar futuro.

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Pela manhã, o BC vendeu os lotes integrais de swaps cambiais extras ligados ao overhedge dos bancos (US$ 700 milhões) e de swaps para rolagem (US$ 846,5 milhões) - o que proporcionou alívio momentâneo na taxa de câmbio. Havia relatos também de entrada de recursos por parte de exportadores e expectativa em relação a eventual nova intervenção do BC.

Logo em seguida, porém, o dólar voltou a ganhar força e ultrapassou a casa de R$ 5,50, correndo até a máxima de R$ 5,5376 no início da tarde, momento em que o real apresentava o pior desempenho entre as divisas emergentes.

Com a melhora nas duas últimas horas do pregão, quando registrou a mínima do dia (R$ 5,4766), o dólar à vista fechou a R$ 5,4861 (+0,02%). Apesar de terminar praticamente estável nesta quarta, a moeda americana já acumula valorização de 2,18% nesta semana.

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A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, observa que a dinâmica do dólar esteve muito ligada ao ambiente externo, com prevalência do sentimento de aversão ao risco na maior parte do dia, em meio ao impasse do teto da dívida americana e às vésperas da retirada de estímulos monetários nos Estados Unidos.

"À tarde teve uma descompressão do dólar lá fora, com possibilidade de acordo para elevarem o teto da dívida nos EUA até o fim do ano", afirma Abdelmalack, ressaltando que os problemas fiscais domésticos ainda deixam investidores locais na defensiva.

Segundo a economista, a probabilidade de extensão do auxílio emergencial (ligado à pandemia do coronavírus) e a dificuldade na aprovação da Reforma do Imposto de Renda, essencial para o Auxílio Brasil, aumentaram o desconforto dos investidores. Também pesa no humor do mercado a proposta do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para tentar diminuir os preços de combustíveis.

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"O pano de fundo é ruim com pendências relacionadas ao Orçamento de 2022, o que mantém a percepção de risco elevada", diz Abdelmalack. "Com o dólar superando R$ 5,50 e toda essa pressão na taxa de câmbio é comum que haja especulação de intervenção maior do BC no câmbio. Mas não há nada de concreto", acrescenta a economista, em referência aos rumores que circularam no mercado.

Além dos problemas fiscais, há temores de que o Brasil caminhe para um cenário de 'estagflação", dada a deterioração das expectativas inflacionárias e os indicadores ruins de atividade. Pela manhã, o IBGE divulgou que as vendas no varejo caíram 3,1% em agosto ante julho (com ajuste sazonal) - abaixo do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que tinha intervalo entre queda de 1,4% e alta de 2,4% (mediana de +0,6%)

Para o diretor da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva, sinais de piora da economia brasileira como a queda nas vendas do varejo, aliados à perspectiva de redução iminente de estímulos monetários nos Estados Unidos, aumentam a demanda por dólares. "O dólar claramente está buscando um novo patamar e deve trabalhar nos próximos dias e meses numa faixa entre R$ 5,45 e R$ 5,55", afirma o diretor da Correparti, acrescentando que a melhora no exterior e os rumores de aumento das intervenções do BC explicam a perda de fôlego do dólar no fim do dia.

Segundo Gomes da Silva, os dados fortes de emprego nos EUA revelados pela pesquisa ADP aumentam a expectativa para a divulgação do relatório de emprego (payroll) na sexta-feira (08) - indicador fundamental para sacramentar a previsão de que o Federal Reserve inicie o "tapering" já em novembro. Segundo pesquisa da ADP, o setor privado dos EUA gerou 568 mil empregos em setembro, acima das expectativas (425 mil). Houve, porém, revisão para baixo do resultado de agosto, de 374 mil para 340 mil.

Lá fora, o índice DXY - que mede a variação do dólar frente a seis divisas fortes - operou em alta durante todo o dia, acima dos 94 mil pontos. A moeda americana também ganhou força em bloco frente a divisas emergentes e de países exportadores de commodities, à exceção do real, do peso mexicano e do rand sul-africano.