Economia

Dólar sobe, mas desacelera após ata apontar 'ajustes adicionais' da Selic

Da Redação ·

O dólar opera em alta no mercado doméstico nesta terça-feira, em linha com a valorização da moeda americana ante pares principais no exterior, enquanto os sinais estão mistos ante divisas emergentes e ligadas a commodities pares do real. O dólar desacelerou o ganho intradia no mercado à vista, puxado pela inversão pontual do sinal para baixo do dólar futuro de março, que já volta a subir discretamente.

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Os ajustes ocorreram em meio a avaliações da ata do Copom da semana passada, que trouxe um tom mais "hawkish" do que o esperado por economistas do mercado. A expectativa é que o diferencial de juros interno e externo continue favorável no curto prazo a operações de "carry trade" com o real.

Um dos pontos destacados por economistas foi o fato de o documento falar de "ajustes adicionais em ritmo menor nas próximas reuniões". "Ao colocar o termo 'ajustes adicionais' no plural, o Copom é bastante claro ao indicar que o ciclo de aperto das condições monetárias se estenderá além da reunião de março, conforme prevíamos anteriormente", afirma em relatório a Renascença DTVM.

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"A ata da reunião de fevereiro do Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou uma retórica mais dura do que a observada no comunicado e indica que o Banco Central antevê juros terminais acima dos 12% do cenário de referência", avaliou o economista-chefe da Terra Investimentos, João Maurício Lemos Rosal.

Para Rosal, o parágrafo 14 é o principal destaque da ata e sugere que o Copom já estima uma Selic mais alta do que o cenário de referência no fim do ciclo. "O Copom frisa que, a despeito do cenário de referência sugerir um pico da Selic em 12%, dados os riscos assimétricos que ele vê, o risco de desancoragem das expectativas, ele espera que a contração monetária vá além do sugerido no cenário de referência", diz Rosal. "Ou seja, o pico da Selic seria maior do que 12%." A Terra Investimentos espera taxa Selic de 12,5% no fim do ciclo de aperto monetário.

No exterior, os índices futuros de Nova York pioraram, pesando nas bolsas europeias, enquanto o dólar se sustenta em alta em relação a seus pares principais, com investidores na expectativas pelo índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos em janeiro, que será divulgado na quinta-feira. Para o Citi, a forte alta recente dos salários nos EUA aponta para pressões inflacionárias mais amplas, o que faz do CPI o dado mais relevante desta semana.

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Mais cedo, a Pfizer anunciou um lucro líquido de US$ 3,39 bilhões no quarto trimestre de 2021, quadruplicando o ganho de US$ 847 milhões apurado em igual período de 2020, segundo balanço publicado nesta terça-feira. Com ajustes, a farmacêutica americana fabricante de vacina contra covid-19 em parceria com a alemã BioNTech, registrou lucro por ação de US$ 1,08 entre outubro e dezembro, superando de longe a previsão de analistas consultados pela FactSet, de US$ 0,87.

Mas a receita e a previsão de lucro ajustado por ação ficaram abaixo do esperado. Às 9h04 desta terça-feira (de Brasília), ação da Pfizer tinha queda de 3,6% nos negócios do pré-mercado em Nova York.

Às 9h24, o dólar à vista subia 0,18%, a R$ 5,2644, ante máxima intradia a R$ 5,2739. O dólar para março tinha viés de alta de 0,05%, a R$ 5,2905.