Economia

Dólar sobe com exterior e cautela política no radar

Da Redação ·

O dólar abriu em queda no mercado local nesta terça-feira, 6, mas logo passou a subir, diante da cautela de investidores com o risco político e fiscal do governo Bolsonaro e também no exterior, na volta do feriado nos EUA. O fortalecimento do dólar ocorreu sob influência do exterior e com investidores atentos às investigações da CPI da Covid sobre as supostas irregularidades na aquisição de vacinas pelo governo Bolsonaro. A comissão do Senado pretende ouvir hoje a servidora do Ministério da Saúde Regina Célia Silva Oliveira, fiscal de contratos da pasta que autorizou a compra da Covaxin.

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A mínima do dólar coincidiu com declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Ele reforçou discurso de que não há justificativa para votar um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, mesmo com as recentes denúncias envolvendo o chefe do Executivo na compra da vacina Covaxin e em esquemas de "rachadinha". "Neste momento, não há nenhum fato novo que justifique e que tenha alguma ligação direta com o presidente da República", afirmou Lira. "A não ser o fato de algum parlamentar ter dito que entregou um documento, que não justifica", acrescentou.

Mas o presidente Jair Bolsonaro editou nesta terça-feira uma medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 20,272 bilhões em favor do Ministério da Cidadania. A justificativa é de que os recursos serão utilizados para a prorrogação do Auxílio Emergencial por mais três meses, anunciada ontem pelo governo. O crédito extraordinário banca despesas emergenciais e fica fora do teto de gastos, regra que limita o avanço das despesas à inflação. Ainda assim, esse gasto torna a dívida pública mais pesada e de valor total incerto, apoiando a inquietação dos investidores.

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No exterior, o dólar sobe ante pares principais e grande parte das divisas emergentes após dados de atividade mistos na Europa, que pressionam o euro para baixo, e com expectativas pelo PMI dos EUA hoje, e pela divulgação da ata da reunião de junho do Federal Reserve, amanhã. O governo da China informou, nesta terça-feira, que pretende intensificar a supervisão de empresas com ações listadas em bolsas no exterior, em meio ao crescente cerco de Pequim contra companhias do setor de tecnologia.

Às 9h34 desta terça, o dólar à vista subia 0,46%, a R$ 5,1115, após cair à mínima a R$ 5,0765 (-0,22%) mais cedo. O dólar futuro para agosto ganhava 0,37%, a R$ 5,1245, ante mínima a R$ 5,090 (-0,31%).