Economia

Dólar sobe 0,71% e fecha a R$ 5,4851, com exterior e declarações de Pacheco

Da Redação ·

O dólar à vista subiu mais um degrau nesta terça-feira, 5, e atingiu o patamar R$ 5,48 escorado em dois pilares: o impasse nas pautas econômicas no Congresso, sobretudo em torno das fontes de financiamento para o Auxílio Brasil (programa social do presidente Jair Bolsonaro), e o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, em dia marcado por nova rodada de alta das taxas dos Treasuries.

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Afora uma queda pontual pela manhã, quando registrou a mínima do dia (R$ 5,4257), o dólar trabalhou em terreno positivo ao longo de todo pregão. Com máxima a R$ 5,4876 (+0,76), já na reta final dos negócios, a moeda americana fechou em alta de 0,71%, a R$ 5,4851 - maior valor de fechamento desde 23 de abril (R$ 5,4973). Vale ressaltar que o giro nos contratos de dólar futuro para novembro - principal termômetro do apetite por negócios - era reduzido(na casa de US$ 10,8 bilhões).

A máxima do dia veio em meio a declarações do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no fim da tarde, que colocam em xeque o andamento de pautas caras ao Planalto no Congresso. Em dia de entrega do parecer da PEC da reforma tributária (que trata da unificação de tributos), confeccionado pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA), Pacheco afirmou que o "projeto do IR pode até ser apreciado pelo Senado", mas que é preciso "exaurir todas as possibilidades" de fontes de financiamento para o Auxílio Brasil, citando o Refis, repatriação de recursos e arrecadação com atualização de valor de ativos.

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Para Pacheco, não é recomendável apostar todas as fichas na reforma do IR para bancar o programa social que vai substituir o Bolsa Família. Ele também disse que está sendo debatida a prorrogação do auxílio emergencial, adotado para lidar com a perda de renda das famílias por conta da pandemia do novo coronavírus. Em relação ao parecer da reforma tributária apresentada nesta terça, Pacheco evitou se comprometer com prazos.

Na avaliação do economista-chefe da Integral Group, Daniel Miraglia, é grande no mercado a preocupação com as contas públicas e a ameaça à âncora fiscal do país justamente em meio a uma escalada inflacionária provocada por choques de oferta (como a crise hídrica) e que não será combatida com uma aceleração do ritmo de alta da taxa Selic.

Ele chama a atenção para o impasse em torno da questão dos precatórios e da reforma do Imposto de Renda, que considera "claramente populista" e ruim para o crescimento potencial. "O mercado está com uma cautela muito grande em relação ao Brasil. As bolsas lá fora se recuperando lá fora e o Brasil aqui operando de lado, com o dólar subindo", afirma Miraglia. "O cenário é muito desafiador para o fim do ano e começo do ano que vem. O Federal Reserve vai muito provavelmente iniciar o processo de redução de estímulos em novembro e dezembro, o que afeta o dólar e bate aqui no Brasil."

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Reportagem especial publicada no Broadcast Político mostrou que o impasse dos precatórios alimenta ideias mirabolantes em Brasília, como a possibilidade de abertura de crédito extraordinário (o que aumenta o endividamento da União) ou até mesmo o uso das reservas internacionais para quitar as dívidas judiciais.

Em relatório, o sócio e economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, afirma que "aumenta a percepção de que a cobertura do Auxílio Brasil não será atingida", dada a falta de perspectiva de aprovação da reforma do IR no Senado. "O governo precisaria de quase R$ 30 bilhões, em particular dos dividendos", escreve Velho, em referência à tributação de lucros e dividendos. "Não teremos contribuição fiscal para desacelerar a inflação, e a inércia inflacionaria aumentou e não está estabilizada. Governo dá sinais de subsídios ou escalonamento de reajustes de preços administrados."

O economista da JF Trust também ressalta que os "jabutis" incluídos MP da crise hídrica (com custos estimados em R$ 46,5 bilhões bancos por consumidores) podem agravar o quadro inflacionário. "O contexto fiscal negativo dá rigidez ao câmbio doméstico na faixa de R$ 5,40", afirma.

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Entre os indicadores norte-americanos, destaque para PMI de Serviços (medido pelo ISM), que subiu de 61,7 em agosto para 61,9 em setembro, acima da expectativa do mercado, de 60. O déficit comercial dos EUA atingiu US$ 73,3 bilhões em agosto, também acima do esperado (US$ 70,3 bilhões), com grande avanço das importações, reflexo do ímpeto da economia americana.

Pela manhã, o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, disse estar "confortável em pensar" que a inflação, por conta sobretudo dos gargalos de oferta vai diminuir, mas disse que isso pode "demorar um pouco mais" do que se esperava. Evans repetiu sua avaliação de que o início da redução mensal da compra de bônus ('tapering) pode vir "em breve".