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    Dólar reduz ritmo de queda com piora externa e termina em R$ 5,56

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 18.03.2021, 18:26:00 Editado em 19.03.2021, 06:16:15
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    O cenário externo atrapalhou nesta quinta-feira a esperada melhora do real, prevista na quarta-feira por analistas após a elevação da Selic pelo Banco Central ter superado as expectativa de boa parte dos participantes do mercado. Na abertura, a divisa chegou a cair forte, recuando a R$ 5,47, mas a nova rodada de elevação dos juros longos americanos, nos maiores níveis em 14 meses, e em seguida com os preços do petróleo despencando no mercado futuro, a moeda americana acabou ganhando força no exterior. Com isso, o dólar seguiu em queda ante o real nos negócios da tarde, mas em ritmo mais contido, na casa dos R$ 5,55.

    No fechamento, o dólar à vista encerrou a quinta-feira em baixa de 0,30%, cotado em R$ 5,5695. No mercado futuro, o dólar para abril tinha queda de 0,34% às 17h30, a R$ 5,5680.

    Após o BC subir os juros em 0,75 ponto porcentual na quarta-feira, a visão era que o câmbio poderia ter alívio importante. O estrategista de moedas do banco Brown Brothers Harriman (BBH), Ilan Solot, comenta que a expectativa era de real mais forte nesta quinta, mas, ao mesmo tempo, ele observa que há, além do cenário externo mais adverso por conta da alta dos yields americanos, fatores internos dificultando a melhora da moeda brasileira, notadamente as contas fiscais deterioradas e os ruídos políticos. Por isso, a menos que o ambiente fiscal e político melhorem, o real tende a não ter melhora sustentada. Sobre os juros, Solot avalia que ao subir a taxa acima do previsto e indicar movimento similar em maio, o BC pode estar querendo fazer um ciclo mais rápido de elevação da Selic, diz em nota.

    Para o economista-chefe da Frente Corretora de Câmbio, Fabrizio Velloni, o início do ciclo de aumento de juros tende a "equiparar a distorção" dos juros do Brasil com o resto do mundo. As taxas reais, descontadas a inflação, estavam mais negativas aqui que as da Suíça. Como ressalta Velloni, o juro do Brasil era um dos menores dos emergentes, enquanto o risco é um dos mais altos, o que desestimulava aportes de estrangeiros. Com a volta das elevações da Selic, o economista acha que pode ocorrer mais atração de recursos externos para o Brasil, aumentando assim a entrada de dólares, o que reduz a pressão sobre o real. Ao mesmo tempo, a piora da pandemia, que traz dúvidas sobre a retomada da economia, deve contribuir para manter o cenário incerto e o câmbio pressionado.

    O mercado de câmbio monitorou ainda a situação das commodities. Nesta quinta-feira, o barril do petróleo chegou a cair perto de 7% no meio da tarde, em meio a preocupações com a pandemia na Europa, que está com a vacinação lenta em algumas regiões e com países suspendendo o uso do medicamento da AstraZeneca. Nesta quinta, a União Europeia disse que o medicamento é seguro, mas não impediu a desconfiança sobre a atividade econômica. Ao mesmo tempo, os retornos (yields) dos juros longos dos EUA seguiram testando novas máximas. O papel de 10 anos chegou a bater em 1,74%, o maior nível em 14 meses.

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