Economia

Dólar reduz alta com melhora nos EUA, mas ainda sobe a R$ 5,12

Da Redação ·

O dólar operou o dia todo em alta, mas teve dois momentos distintos. Pela manhã, chegou a subir mais de 2% e a bater em R$ 5,22, com o temor dos efeitos econômicos da nova variação do coronavírus no Reino Unidos, enquanto vários países fecharam seus aeroportos aos britânicos e Londres decretou um novo lockdown. Pela tarde, a moeda americana desacelerou os ganhos, com mínimas a R$ 5,11, com os investidores mais animados com os acertos finais para a aprovação de um pacote fiscal nos Estados Unidos, além de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter minimizado os efeitos da nova variação do vírus na eficácia das vacinas, destacando que os medicamentos já são feitos prevendo estas ocorrências.

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No fechamento, o dólar à vista terminou em alta de 0,78%, cotado em R$ 5,1228. No mercado futuro, o dólar para janeiro fechou em alta de 0,32%, em R$ 5,1170.

O dólar já abriu o dia em forte alta ante o real, enquanto o DXY, índice que mede o comportamento da moeda americana ante divisas fortes, superou os 91 pontos, no nível mais alto desde o dia 9. O novo lockdown na Inglaterra e vários países fechando aeroportos para o Reino Unido lembrou os piores momentos do início da pandemia, levando os investidores a procurarem ativos considerados portos seguros, destaca o analista sênior de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo. O iene japonês e o franco suíço também subiram forte, enquanto as moedas de emergentes perderam valor e as bolsas despencaram.

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Nos negócios da tarde, as declarações da OMS e a perspectiva de acerto para o pacote fiscal americano, de US$ 900 bilhões, que deve ser votado ainda hoje em Washington, por volta das 22h (de Brasília), ajudaram a reduzir o temor dos participantes dos mercados. O DXY desacelerou a alta para perto de 90 pontos, ameaçando perder o patamar, como na semana passando, quando caiu a 89 pontos, na mínima desde abril de 2018. O dólar também perdeu força ante moedas emergentes, zerando a alta no México.

"O pacote de estímulo é uma razão a mais para otimismo com 2021", afirma o economista da Capital Economics, Paul Ashworth, em nota. Ele elevou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA para o ano que vem de 5% para 5,5% por conta do acerto final para o pacote.

O novo pacote de estímulo americano deve despejar ainda mais liquidez nos mercados, o que contribui, junto com outras medidas extraordinárias fiscais e monetárias nos países desenvolvidos, para manter um ambiente de busca por risco, que pode levar o dólar a cair abaixo de R$ 5,00 no final do primeiro semestre de 2021, prevê o banco francês Crédit Agricole. Apesar dos problemas fiscais e estruturais do Brasil colocarem um teto para a melhora do real e do Ibovespa, a instituição vê chance de a busca por risco fazer o real se valorizar mais um pouco. O dólar deve chegar ao final do primeiro trimestre a R$ 5,00 e a R$ 4,75 ao final do segundo período do ano que vem.