Economia

Dólar fecha a R$ 5,6810, em leve alta de 0,10%

Da Redação ·
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Depois de correr até a casa de R$ 5,70 pela manhã, em meio à pressão de saída de recursos e ao ambiente externo negativo diante do avanço da variante ômicron, o dólar perdeu força e operou ao longo da tarde ao redor da estabilidade, encerrando o dia em leve alta. Operadores atribuíram a moderação do dólar na etapa vespertina à contratação de câmbio por exportadores e ao recuo firme da moeda americana frente a divisas emergentes pares do real, como o peso mexicano e o rand sul-africano.

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Com máxima a R$ 5,7154 (+0,64%) pela manhã e mínima a R$ 5,6624 (-0,30%), registrada no início da tarde, o dólar à vista encerrou o pregão a R$ 5,6810, em leve alta, de 0,10%.

Segundo Ricardo Gomes da Silva, diretor da corretora Correparti, a percepção de que o fluxo de ingresso estrangeiro poderá aumentar por conta do resultado de leilões de campos de petróleo realizados hoje abriu a porta para que exportadores vendessem moeda tanto no mercado à vista como no futuro. Isso explica a perda de fôlego do dólar ao longo da tarde, embora ainda a moeda tenha fechado em alta.

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Dado o comportamento de seus pares emergentes, o real poderia ter tido um desempenho melhor hoje. Pesou contra a moeda brasileira certa cautela com a questão fiscal, diante da possibilidade de aumento dos gastos em 2022 por conta corrida eleitoral. Pesquisa de intenção de voto mostrou liderança folgada do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que já se declarou contra a manutenção da regra do teto de gastos.

"A preocupação fiscal se acentuou hoje com pesquisa sinalizando que Lula venceria já no primeiro turno, o que indica uma fraqueza das candidaturas da terceira via e também do governo atual. Há o risco de o governo querer aumentar os gastos para tentar angariar votos", afirma a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest.

Segundo revelou o Estadão/Broadcast, o pacote eleitoral do presidente Jair Bolsonaro para buscar a sua reeleição em 2022 pode ter um custo superior a R$ 90 bilhões, mais do que o dobro previsto para o rombo nas contas do governo no ano que vem. À tarde, o Congresso derrubou veto do governo ao aumento do fundo eleitoral e garantiu verba de R$ 5,7 bilhões para as campanhas em 2022.

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No acumulado da semana, a moeda registra alta de 1,26%, que poderia ter sido maior não fossem as intervenções do Banco Central. Desde sexta-feira passada (10) até ontem, o BC vendeu US$ 3,372 bilhões em quatro leilões à vista e US$ 500 milhões em leilão de linha para rolagem, além da oferta de swaps para rolagem de vencimentos e cobertura do overhedge dos bancos.

Analistas atribuem o avanço do dólar ao longo da semana à pressão sazonal de remessas de lucros e dividendos, como no caso da Petrobras, e de pagamentos de dívidas - eventos típicos de fim de ano e que teriam motivado a intervenção do Banco Central.

Ao fluxo pesado de saída de recursos somou-se um ambiente externo mais desafiador para ativos de risco e moedas emergentes, por conta das decisões de política monetária dos bancos centrais dos países desenvolvidos. A fila foi liderada pelo Federal Reserve - que acelerou a redução das compras mensais de bônus (tapering), cuja conclusão se dará em março, e acenou com três altas de juros em 2022.

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Em seguida, o Banco Central Europeu (BCE), embora com a promessa de manter postura acomodatícia, deu início ao seu processo de retirada de estímulos. Já o Banco da Inglaterra elevou a taxa básica de 0,10% para 0,25%, tornando se o primeiro BC desenvolvido a subir os juros. Hoje foi a vez do Banco do Japão (BOJ) anunciar que o fim, em março, das compras emergenciais de ativos (comercial papers e bônus corporativo).

"A questão de aumento dos juros nos Estados Unidos pode pesar nas moedas emergentes na próxima semana", afirma Quartaroli, do Ourinvest. (A - antonio.perez@estadao.com)