Economia

Dólar destoa do exterior e cai 0,20% no dia, mas fecha semana com alta de 0,85%

Antonio Perez (via Agência Estado) ·
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Apesar do sinal predominante de alta da moeda norte-americana no exterior, na esteira de dados fortes de geração de emprego nos Estados Unidos, o dólar apresentou bastante instabilidade no mercado doméstico de câmbio na sessão desta sexta-feira, 3. Segundo operadores, entrada de fluxo estrangeiro (comercial e financeiro) e desmonte parcial de posições defensivas no mercado futuro, em meio à redução dos temores de que o governo opte por decretar estado de calamidade, serviram de contrapeso à aversão ao risco.

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Com trocas de sinal ao longo do dia, a divisa chegou a correr até a máxima de R$ 4,8320 pela manhã. A mínima, a R$ 4,7762, veio já na reta final da sessão. No fim do dia, o dólar à vista era cotado a R$ 4,7787, em baixa de 0,20%. A moeda fecha a semana valorização bem modesta, de 0,85%, interrompendo uma sequência de três semanas de queda expressiva, quando desceu do patamar de R$ 5,05 para operar ao redor de R$ 4,80.

Segundo apuração do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o ministro Paulo Guedes prometeu, ao presidente Jair Bolsonaro, em reunião na quinta-feira à noite, que apresentará uma solução para amenizar a alta dos preços de combustíveis na tentativa de evitar a decretação de estado de calamidade do País - medida aventada pela ala política do governo e que abriria espaço para subsídio aos combustíveis e aumento do Auxílio Brasil.

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A economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest, observa que provável fluxo de recursos para o País nesta sexta, em meio a ambiente positivo para commodities com a reabertura da China, tirou pressão sobre a taxa de câmbio. "As moedas emergentes e o real ainda devem se beneficiar pela perspectiva de que a China possa contribuir para melhora do crescimento mundial. Existe uma aparente entrada de fluxo que contribuiu para a queda do dólar hoje", afirma.

Lá fora, o dólar subiu em relação seus pares, especialmente o iene e a libra esterlina, com o índice DXY voltando a ser negociado acima da linha dos 102 pontos. A moeda americana também avançou frente à ampla maioria de divisas emergentes e de países exportadores de commodities, mas com ganhos bem modestos. O real, que vinha apanhando mais que seus pares nos últimos dias, nesta sexta apresentou o melhor desempenho. Além da moeda brasileira, o peso chileno também se apreciou ante o dólar.

A semana foi dominada pelos debates em torno do ritmo de ajuste da política monetária norte-americana, em meio a dados de atividade e à divulgação nesta sexta pela manhã do relatório de emprego (payroll) nos EUA em maio. Foram criadas 390 mil vagas no mês passado, acima das expectativas (328 mil). A taxa de desemprego ficou estável em 3,6%. Já o salário médio por hora avançou 0,3% em relação a abril, ligeiramente abaixo da previsão (+0,4%), amenizando em parte as pressões geradas pela geração de empregos.

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"O relatório de emprego mostra que a atividade americana está forte. Existe um temor grande de como o mercado pode reagir a esse choque de redução de estímulos nos Estados Unidos, que não tem precedente histórico", afirma o economista Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos.

Começa a perder força a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), adote uma pausa no processo de elevação de juros em setembro, após ter promovido duas altas consecutivas da taxa básica em 50 pontos-base (em junho e julho). O prolongamento da guerra na Ucrânia, que completou 100 dias, e as sanções ao óleo russo pela União Europeia mantêm os preços do petróleo em ascensão, o que aumenta os riscos inflacionários globais. O petróleo para agosto tipo Brent, referência para Petrobras, fechou em alta de 1,79%, a US$ 119,72 o barril, tendo ultrapassado a marca de US$ 120 ao longo do pregão.

Após a vice-presidente do BC norte-americano, Lael Brainard, dizer na quinta-feira que considera "improvável uma pausa no processo de ajuste monetário", a presidente do Fed de Cleveland, Loreta Mester, afirmou nesta sexta que poderá haver "facilmente" um aumento de 50 pontos-base da taxa básica americana em setembro. "Preciso de evidências robustas para ter certeza de que a inflação atingiu o pico", disse Mester, que julga apropriado elevar os juro em 0,50 ponto em cada uma das duas próximas reuniões do Fed.

"A criação de empregos foi impressionante. E houve ganhos salariais. São sinais de que o mercado de trabalho americano continua forte. A inflação está pressionada e o mercado pode precificar um prolongamento da alta dos juros americanos", diz o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, que não acredita, porém, que o Fed será muito agressivo no ajuste da política monetária.