Economia

Dólar cai a R$ 4,71 com IPCA sugerindo alta maior da selic e fluxo positivo

Da Redação ·

O dólar ampliou a queda e registrou mínima a R$ 4,7159 no mercado à vista na manhã desta sexta-feira. O câmbio precifica o IPCA de março acima do esperado, porque indica que o ciclo de alta da Selic pode não acabar em maio e o BC pode ter de esticar o aperto monetário, favorecendo o "carry trade" com real, afirma o estrategista-chefe do grupo Laatus, Jefferson Laatus. Além disso, o estrategista afirma que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deixou no ar ontem que o BC pode ser obrigado a subir juros além de maio.

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O estrategista acrescentou que, além dos impactos da guerra na Ucrânia, há pressão inflacionária derivada também das restrições à mobilidade na China para combater a covid-19, o que deve continuar interferindo na interrupção da cadeia de suprimentos, pressionando mais a inflação global.

"O mercado interno eleva posições vendidas em dólar apostando na entrada de novos fluxos de capitais estrangeiros no País", avalia Laatus.

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O IBGE informou que o IPCA de março acelerou a 1,62% (de 1,01% em fevereiro), superando o teto das estimativas na pesquisa Projeções Broadcast, que era de 1,44%. Além disso, conforme a Terra Investimentos, o indicador de difusão acelerou 76,10% no período, após 74,80%, mostrando que a inflação está disseminada na economia.

A taxa acumulada pela inflação no ano ficou em 3,20% e, em 12 meses, foi de 11,30%, também acima do teto das estimativas, que era de 11,11%. O piso das projeções era de 10,29% e a mediana, de 11,00%.

Além do IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve elevação de 1,71% em março, após um avanço de 1,00% em fevereiro. Com o resultado, o índice acumulou uma elevação de 3,42% no ano. A taxa em 12 meses foi de 11,73%. Em março de 2021, o INPC tinha sido de 0,86%. Mais cedo, o IGP-M acelerou a 1,88% na primeira prévia de abril, depois de ter ficado estável (0%) na mesma leitura de março, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

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O IBGE informou ainda que a produção industrial avançou em 11 dos 15 locais pesquisados na passagem de janeiro para fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional. Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve alta de 1,1%.

Na política, o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), autor do pedido, divulgou que o Senado já tem o número de assinaturas exigidos para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar corrupção no Ministério da Educação. O requerimento de abertura da CPI do MEC recebeu apoio de 27 senadores. Agora, a abertura da comissão depende de decisão do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Caso ele se recuse a criar a comissão, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode ser acionado para garantir a investigação parlamentar.

Antes de se firmar em baixa, o dólar abriu com sinais mistos, de alta na cotação spot e baixa do dólar futuro para maio em meio a ajustes ao fechamento de ontem, a R$ 4,7840, acima da cotação do dólar pronto (a R$ 4,7409). Mas a moeda americana inverteu o sinal rapidamente e passou a exibir viés de baixa, acompanhando o persistente recuo do dólar futuro e também uma leve desvalorização no exterior ante peso mexicano e peso chileno em manhã de apetite por ativos de risco no exterior.

Por volta das 9h40 desta sexta, o dólar à vista caía 0,51%, a R$ 4,7169. O dólar para maio recuava 0,85%, a R$ 4,7435.