Economia

Dólar à vista sobe 0,76% e fecha no maior valor desde 24 de janeiro

Antonio Perez (via Agência Estado) ·
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Após uma manhã marcada por trocas de sinal, o dólar se firmou em alta ao longo da tarde acompanhando a onda de fortalecimento da moeda americana tanto em relação a divisas fortes, em especial o euro, quanto emergentes. Entre mínima a R$ 5,3911 e máxima a R$ 5,4708, o dólar encerrou o dia em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,4605 - maior valor de fechamento desde 24 de janeiro (R$ 5,5032). Assim, a divisa passou a acumular valorização de 4,31% em julho, após ter fechado junho com alta de 10,15%.

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Lá fora, após o refresco de ontem, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas forte - voltou a subir, trabalhando a maior parte do dia acima da linha dos 107 pontos. O dólar também avançou em relação à maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities, incluindo pares do real como os pesos chileno e mexicano, além do rand sul-africano.

Ironicamente, o euro apanhou na véspera da reunião do Banco Central Europeu (BCE) em que deve ser anunciada a primeira alta de juros na região em 11 anos. Embora o consenso seja de elevação em 25 pontos-base, ontem havia forte especulação de uma alta de 50 pontos-base. A economia da Europa sofre os efeitos ao mesmo tempo recessivos e inflacionários da escalada dos preços de energia em razão da guerra na Ucrânia.

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A Comissão Europeia anunciou hoje plano para reduzir o consumo de gás na União Europeia em 15% até março de 2023, dados os riscos de fornecimento pela Rússia. Um eventual corte total do fornecimento da commodity reduziria o Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia em até 1,5%, segundo estimativas da própria UE. As cotações do petróleo fecharam em queda, com o contrato do tipo Brent para setembro, referência para a Petrobras, em baixa de 0,40%, a US$ 106,92 o barril.

Segundo a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, na ausência de indicadores domésticos relevantes, o mercado basicamente operou de olho no exterior, sobretudo na Europa, que pode mergulhar em uma recessão em meio a um quadro de inflação global muito forte. "Todos os olhos hoje estão voltados para a Europa, com o risco de racionamento de gás e a decisão do BCE amanhã. Existe um movimento de aversão ao risco que fortalece a moeda americana. Isso fez o dólar subir hoje aqui e se aproximar de R$ 5,50", afirma Consorte.

Em tal ambiente, a alta de 1,52% no minério de ferro em Qingdao, na China, e promessas do governo chinês de estímulo à atividade econômica para atingir metas de crescimento não foram suficiente para estimular o apetite pelo real. Até porque as ações da Vale, que apresentou dados fracos no segundo trimestre, reduzirem a atratividade da bolsa brasileira. Como previsto por analistas, o Banco do Povo da China (PBoC) manteve as taxas básica de um ano e de cinco anos estáveis. O gigante asiático volta a sofrer com problemas no setor imobiliário, com incorporadoras endividadas e mutuários boicotando o pagamento de hipotecas de imóveis cuja construção ainda não foi concluída.

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Por aqui, o Banco Central informou que, após encerrar março com entradas líquidas de US$ 2,851 bilhões, o fluxo cambial foi positivo em US$ 7,727 bilhões - resultado de saída líquida de US$ 3,683 bilhões pelo canal financeiro e entrada de US$ 11,410 bilhões do lado comercial. Mesmo com nova atualização, os dados de fluxo cambial ainda estão atrasados devido à greve dos servidores do BC, encerrada no dia 5 de julho. Hoje, deveriam estar disponíveis os resultados até o dia 15 deste mês.

O head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, observou hoje, no Twitter, que desde 11 de julho, o real apresenta depreciação frente ao dólar maior que a de outras divisas. "Então, há um componente maior de aversão ao risco local", afirmou Weigt.

Na outra ponta, o economista-chefe do Instituto Finanças internacionais (IIF), Robin Brooks, afirmou, também no Twitter, que o tombo do real não diz respeito ao que acontece no Brasil. "O fato de a taxa de câmbio ter voltado para R$ 5,40 está ligado ao aumento do risco de recessão global, que está pesando sobre os preços globais das commodities", escreveu Brooks. "O Brasil é um espectador inocente em tudo isso."