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Criptomoeda leva a culpa por crise cambial da vida real na Nigéria

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O chefe de compliance para assuntos de crimes financeiros da Binance, Tigran Gambaryan, voou para a capital da Nigéria para resolver um problema: o governo culpou a maior corretora de cripto do mundo pela desvalorização da moeda local.

O americano, um ex-agente especial da Receita Federal, deixou a esposa e os filhos em casa, na Geórgia, no final de fevereiro, com uma pequena mala para o que considerou ser uma rápida viagem de negócios. Mas ele não voltou.

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As autoridades nigerianas prenderam Gambaryan e um colega, Nadeem Anjarwalla, cidadão do Reino Unido e do Quênia e gestor regional da Binance para África, de acordo com as famílias dos executivos.

Os funcionários da Binance, que estão detidos em uma casa vigiada, não foram acusados de nenhum crime. O governo, que os convidou para reuniões na Nigéria, não se manifestou, publicamente, sobre as detenções.

A Nigéria, a maior economia de África, com uma população de mais de 220 milhões de habitantes, já enfrentou muitas crises no passado. Esta é a primeira vez que a as criptos desempenham um papel de destaque.

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Os nigerianos migraram para as criptomoedas nos últimos anos para protegerem suas economias da escalada da inflação, que atingiu quase 30% em janeiro, e da queda livre de sua moeda, que tem um dos piores desempenhos do mundo este ano. Dois terços da população vive na pobreza.

O país tem o segundo maior índice de adoção de criptomoedas no mundo, depois da Índia, de acordo com informações compiladas pela Chainalysis, um provedor de dados. Os nigerianos receberam cerca de US$ 60 bilhões em transações criptográficas nos 12 meses até junho de 2023, de acordo com a Chainalysis.

Como o governo determinou quem poderia trocar a moeda local pelo dólar e qual taxa ocorreria a troca, muitos nigerianos procuraram refúgio em moedas digitais atreladas ao dólar americano, conhecidas como stablecoins.

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As transações de stablecoins tornaram-se, basicamente, um mercado negro, apresentando uma taxa de câmbio extraoficial entre a moeda local, a naira, e o dólar, que era muito mais fraca do que as taxas definidas pelo governo. A Binance, a corretora mais popular, tornou-se a fonte ideal para verificar a taxa do mercado negro, de acordo com traders de moeda.

O conselheiro especial do presidente nigeriano, Bayo Onanuga, acusou a Binance de definir a taxa de câmbio para a Nigéria e de capturar o papel do banco central.

"As criptos deveriam ser banidas em nosso país ou então esse sangramento em nossa moeda continuará inabalável", escreveu Onanuga em um registro no X.

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Um novo governo que chegou ao poder no ano passado tentou simplificar um sistema complexo de múltiplas taxas de câmbio oficiais e fortalecer o mercado de maior influência sobre o valor da moeda.

Mas a lacuna persistente entre o que o governo pensava que a moeda valia e a taxa no site da Binance revelou-se intolerável.

A Comissão de Comunicações da Nigéria ordenou que as empresas de telecomunicações restringissem o acesso aos sites da Binance e outras plataformas de criptomoedas.

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O presidente do Banco Central da Nigéria, Olayemi Cardoso, sugeriu que plataformas de criptomoedas estavam sendo usadas para manipular o mercado.

O uso de criptomoedas vinculadas ao dólar americano aumentou em países em desenvolvimento. Em economias sob pressão financeira onde os dólares reais são escassos, como a Turquia, a Argentina e a Rússia, os habitantes locais recorreram às bolsas de criptomoedas e às moedas digitais similares ao dólar como alternativa.

O CEO da Binance, Richard Teng, que também foi um regulador, prometeu, quando assumiu no ano passado, seguir as regras e interagir com as autoridades governamentais.

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