Economia

Correção: Instabilidade marca pregão do Ibovespa no 1º dia do mês

Da Redação ·

A nota publicada anteriormente continha imprecisão no título no verbo. Segue a versão correta do título, com a manutenção do texto:

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O Ibovespa tenta alta nesta terça-feira, mas o sinal não é firme, indicando que fevereiro pode ir na mesma linha do que foi janeiro: de muita volatilidade, ou pelo menos um pouco. Indefinição externa - bolsas europeias em alta, índices futuros de ações dos Estados Unidos e sinais variados das commodities - limita alta do Ibovespa. Além disso, a agenda pesada de dados e eventos contribui para o movimento.

Entre as divulgações há uma série de PMIs do setor industrial, dado de emprego americano, balanços nos EUA, como Alphabet (Google) e UBS, na Europa. No Brasil, tem balança comercial de janeiro. Além disso, o feriado em alguns países asiáticos até o dia 6, por conta da comemoração ao Ano Novo Chinês, joga contra a liquidez global.

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No entanto, o Ibovespa tenta resistir. A força do capital externo deve seguir como atrativo, reforçando o saldo na Bolsa, estimulando compras e um dólar mais fraco. Hoje a moeda cai para a faixa de R$ 5,20, depois de ceder 1,56% (R$ 5,3059) na véspera. Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,21%, aos 112.143,51 pontos e de 6,98% no mês.

"A queda do dólar ajuda", diz Victor Hugo Israel, especialista em renda variável da Blue3. Como destaca, o Ibovespa tem atraído principalmente investimento externo por conta de oportunidades, com empresas apresentando bons lucros - e de fundamentos. Agora, diz, fica a expectativa para o Copom, que deve subir a Selic em 1,5 ponto (está em 9,25% hoje).

"A questão é saber qual será o tom usado pelo Banco Central, se deixará em aberto um outro ajuste da mesma magnitude, ou não", afirma Israel, completando que a sinalização do Copom deverá ser pautada em dados, no câmbio, nos indicadores de inflação e fiscais.

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A expectativa unânime de nova alta de 1,5 ponto porcentual na Selic pelo Copom, para dois dígitos, pode reforçar essa estimativa de mais recursos para o mercado de renda variável. Atualmente, o juro básico está em 9,25% ao ano.

"Hoje o Copom inicia sua reunião e é garantida uma elevação expressiva de juros, mais um ponto a favor do fluxo de estrangeiros, ainda que incluamos um possível cenário em que o comitê inicie o 'início do fim' do aperto de juros", avalia em relatório o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira.

Até sexta-feira, houve entrada de R$ 2,468 bilhões na B3, elevando o ingresso de recursos externos R$ 30,610 bilhões em janeiro.

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Porém, há preocupações externas que podem atrapalhar. Como observa Vieira, da Infinity, há riscos especialmente geopolíticos. Porém, pondera, o que se vê neste momento é um movimento mais próximo da busca do Brasil como uma opção barata e de bom rendimento, do que a possibilidade de cenários mais adversos.

Internamente, como lembra Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico, tem, por exemplo, indefinição sobre o formato e conteúdo da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Combustíveis. A expectativa é que a PEC seja apresentada durante a abertura dos trabalhos legislativos (amanhã), em conjunto pelos presidentes dos Três Poderes.

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"Ganhou força a versão mais reduzida da PEC, em que apenas os impostos federais sobre o diesel seriam zerados, com uma perda estimada de arrecadação de cerca de R$ 20 bilhões", menciona Collazo em nota.

No âmbito da crise sanitária, o alerta do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos pode reforçar a dificuldade de recuperação de setores da Bolsa ligados à reabertura econômica, ao recomendar que viagens ao Brasil sejam evitadas por risco 'muito alto', por conta do avanço no número de casos de covid-19.

Já na seara corporativa, destaque para Vibra e Americanas, que anunciaram parceria no segmento de lojas de conveniência, enquanto a Petrobras assinou com a empresa 3R Potiguar, subsidiária integral da 3R Petroleum Óleo e Gás.

No entanto, o recuo do petróleo no exterior - ainda que moderado - impede elevação das ações da estatal, com altas em torno de 14% em janeiro. "Entre as commodities metálicas, altas, destaques ao minério de ferro e prata", cita a Infinity Asset. Os papeis das mineradoras e siderúrgicas subiam.

Às 11h31, o Ibovespa subia 0,24%, aos 112.413 pontos.