Economia

Contra exterior, Ibovespa sobe 0,29%; 5ª alta seguida

Da Redação ·

Mesmo com a cautela que persiste no exterior, o Ibovespa conseguiu emendar o quinto ganho diário neste começo de semana, igualando série positiva para a referência da B3 vista no início de dezembro. Dessa vez, os ganhos acumulados no intervalo são mais tímidos, na faixa de 0,2% a 0,8% por dia, refletindo a extensão da recuperação em janeiro (6,98%) e um cenário externo mais desafiador, com tensão geopolítica entre Rússia e Ucrânia se combinando ao viés de alta para os juros globais, em meio à correção nas políticas monetárias.

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Hoje, o índice subiu 0,29%, aos 113.899,19 pontos, melhor nível de encerramento desde 18 de outubro (114,4 mil pontos), oscilando 808 pontos entre a mínima (113.358,16) e a máxima (114.167,00) desta segunda-feira. Moderado, o giro foi de R$ 26,0 bilhões na sessão. No mês, o Ibovespa avança 1,57% e, no ano, ganha 8,66%, apesar da aversão global a risco.

"A postura do presidente russo (Vladimir Putin) na disputa ainda não é inteiramente clara", aponta Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos. "Ainda é cedo para determinar quais serão as ramificações da crise atual, tanto na seara política quanto na econômica", acrescenta em nota, na qual observa também que o principal efeito imediato, nos preços de petróleo e derivados, coloca "mais gasolina na fogueira da inflação global", no momento em que as políticas monetárias nas principais economias sugerem abordagem restritiva para a liquidez. Hoje, o Brent foi negociado acima de US$ 96 por barril, com ganho de 2% na sessão, enquanto o WTI chegou a US$ 95,46 no fechamento, no maior nível desde 2014.

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"Os investidores podem passar a precificar a necessidade de juros mais altos e subindo mais rápido do que o esperado nos EUA, se a situação se prolongar. O mesmo pode ocorrer no Brasil, com o risco de vermos juros ainda mais altos do que o projetado hoje, no evento de uma disparada inesperada nos preços da gasolina e derivados", acrescenta Rachel. Uma "fuga para a segurança", aponta a economista, tende a fortalecer o dólar, assim como a demanda por títulos americanos.

Assim, o fluxo externo de R$ 32,5 bilhões para a B3 em janeiro, ainda que positivo em fevereiro em R$ 9,8 bilhões (até o dia 10), pode se tornar menos intenso em vista da aversão a risco, reforçada no momento pela falta de percepção clara sobre o desfecho do evento: resolução diplomática ou algum grau de conflito armado, ainda que localizado e restrito apenas à Rússia e Ucrânia no cenário menos extremo.

Não à toa, declaração do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de que foi alertado de que a Rússia invadirá o país na quarta-feira, dia 16 - também conhecida como depois de amanhã - piorou o humor global e chegou a colocar o Ibovespa no negativo, embora em ajuste bem mais discreto do que o observado em Nova York, onde as perdas foram acima de 1% no meio da tarde, e limitadas a 0,49% (Dow Jones) no fechamento, com Nasdaq estável. A notícia veio horas depois de o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmar que uma saída diplomática ainda é possível.

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Mais tarde, um alto funcionário do governo ucraniano negou que o presidente estivesse sendo literal quando disse, em discurso à nação, que lhe informaram que um ataque russo começaria na quarta-feira. Mykhailo Podoliak, um conselheiro presidencial, afirmou à CNN que Zelensky estava sendo irônico ao fazer as afirmações.

É "absolutamente possível" que Vladimir Putin, presidente da Rússia, aja "com pouco ou nenhum aviso" em ataque à Ucrânia, disse por sua vez, no fim da tarde, o porta-voz do Pentágono, John Kirby, em coletiva à imprensa. Ele afirmou também que os Estados Unidos acreditam que uma decisão final não foi feita pela Rússia.

"O cenário ainda é de indefinição e cautela. A tensão sobre a Ucrânia traz muita indeterminação sobre os preços do petróleo, na produção como no consumo, o que traz volatilidade para as ações de Petrobras. Em dia também negativo para Vale (ON-0,43%), com correção do minério na China, que vem de recuperação de 18% no mês passado e agora tem uma queda mais forte, de cerca de 7% em Dalian. A China tenta esfriar o mercado de construção e de aço para afetar o preço", diz Davi Lelis, sócio e especialista da Valor Investimentos.

Assim, na B3, os ganhos hoje foram limitados pelo ajuste em Petrobras (ON -2,58%, PN -2,25%), que esteve entre os destaques da última sexta e hoje ocupou a ponta oposta do Ibovespa com Via (-2,43%), Marfrig (-2,53%) e Carrefour Brasil (-2,10%), no dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) avaliou o maior processo trabalhista já movido contra a empresa, com potencial negativo de R$ 47 bilhões sobre o caixa da estatal. Ao fim, a maioria da 1ª turma do STF decidiu a favor da Petrobras, derrubando a ação trabalhista. Na ponta de ganhos, destaque hoje para Banco Inter (+7,84%), Petz (+6,59%), Hypera (+4,35%), Totvs (+3,76%) e Americanas ON (+3,63%).