Economia

Com pressão em emergentes, Bolsa fecha em baixa de 1,07%, a 114.978,86 pontos

Da Redação ·

A arrecadação de impostos e contribuições federais a R$ 127,7 bilhões em fevereiro, o melhor resultado para o mês da série histórica, contribuiu para retirar parte da pressão sobre o dólar e o Ibovespa observada desde cedo, em dia desfavorável aos emergentes após a demissão do presidente do BC turco, na noite de sexta-feira, por Recep Erdogan - o que reforça o sinal de que o intervencionismo político na economia e nas finanças públicas ainda é opção neste conjunto de países. A demissão da autoridade monetária na Turquia veio dois dias depois de uma elevação dos juros, a 19% ao ano, em tentativa de conter a inflação, perto de 16%.

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Ao final da sessão desta segunda-feira, o principal índice da B3 mostrava perda de 1,07%, aos 114.978,86 pontos, entre a máxima de 116.224,73 e a mínima da sessão, de 113.619,52, com abertura a 116.222,06 pontos. O giro financeiro foi de R$ 30,2 bilhões nesta segunda-feira - no mês, o Ibovespa avança 4,49%, limitando as perdas do ano a 3,39%.

Apesar do dia majoritariamente positivo nas bolsas do exterior, principalmente em Nova York, onde os ganhos nesta segunda chegaram a 1,23% (Nasdaq) no fechamento, com acomodação dos rendimentos dos Treasuries, especialmente dos vencimentos longos, paira a preocupação quanto a uma terceira onda de pandemia na Europa, que viu protestos neste fim de semana no Reino Unido, na França e na Alemanha, e prorrogação do lockdown neste último país, sinalizada nesta segunda, até 18 de abril.

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"O pacote de emergentes foi afetado pelo episódio da Turquia, mas, para além disso, o mercado está começando a olhar com atenção a possibilidade de terceira onda de covid, o que se refletiu hoje no fechamento das taxas de 10 e 30 anos (yields), nos Estados Unidos, e neste avanço do Nasdaq, bem mais forte do que o do S&P 500", diz Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group, que tem como cenário-base PIB em alta de 3,63% no fechamento do ano no Brasil e IPCA a 5%, com um segundo semestre de recuperação, com as vacinas.

O curtíssimo prazo, contudo, ainda é condicionado pela pandemia. "Após atingir 294 mil mortes por coronavírus no fim de semana, o Brasil segue no pior momento da crise sanitária, o que motivou governos estaduais a adotarem novas medidas de isolamento. Na Europa, existe preocupação com terceira onda da doença, que já levou a medidas restritivas em países como França, Itália, Alemanha e Holanda. Nesse cenário, a reação dos investidores é de aversão a risco, pela incerteza sobre a recuperação econômica", aponta Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos.

"À tarde, o gatilho que acabou por se impor foi a arrecadação federal, que contribuiu para amenizar um dia ruim desde cedo, com queda nos preços do minério de ferro (-2,71% no fechamento em Qingdao, China), preocupação sobre os emergentes após a demissão no BC turco e incerteza sobre a evolução da covid, especialmente na Europa", diz Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest.

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"A queda de 6% (no minério de ferro) nesta madrugada, após atingir nova máxima do ano neste mês, deve-se a notícias de que o governo chinês irá apertar o cerco sobre o polo industrial de Tangshan, que responde por um quarto da produção de aço chinês", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Autoridades no polo siderúrgico de Tangshan anunciaram planos de coibir a produção das empresas locais até o fim de 2021, em um esforço para controlar emissões.

Assim, as ações de mineração e siderurgia estiveram entre as perdedoras do dia, com Vale ON em baixa de 1,66%, Usiminas, de 3,09%, Gerdau PN, de 3,04%, e CSN, de 1,71%. Destaque também para perdas de 2,00% na PN e de 1,87% na ON de Petrobras. A perspectiva de recrudescimento da pandemia na Europa pressionou em especial as ações de empresas ligadas à mobilidade, com Embraer (-7,44%), Azul (-6,10%) e Gol (-3,63%) segurando a ponta negativa do Ibovespa na sessão.

No lado oposto, Pão de Açúcar fechou em alta de 5,05%, à frente de Minerva (+3,26%) e Marfrig (+2,44%). O câmbio favorável para as exportadoras e a alta de 34,4% nas importações chinesas de carne bovina no primeiro bimestre do ano, divulgada pela Administração Geral de Alfândega da China (Gacc, na sigla em inglês), contribuíram para o avanço dos frigoríficos.