Economia

Com NY, Ibovespa vira no fim e sobe 0,09%, a 110.559,57 pontos

Da Redação ·

Na reta final, o Ibovespa conseguiu zerar as perdas do dia, que chegaram mais cedo à casa de 2%, para fechar esta quarta-feira em levíssima alta de 0,09%, a 110.559,57 pontos, e ainda que de forma bem tímida, conseguiu algo que não era visto desde os dias 22 e 23 de setembro: emendar ao menos dois ganhos, por menores que sejam. A mudança de sinal em Nova York no meio da tarde, ao positivo, contribuiu para que o Ibovespa iniciasse contenção de danos, vindo de alta de 0,06% na terça-feira e de queda de 2,22% na segunda - até então, dava prosseguimento nesta quarta à alternância diária de avanços e recuos pelo que seria a 10ª sessão consecutiva.

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Em série volátil iniciada no último dia 23, quando havia emendado terceira alta acima de 1%, o Ibovespa perdeu desde então 3,5 mil pontos, mantendo-se na linha dos 110 mil nos encerramentos das últimas três sessões. Na semana, o Ibovespa cede agora 2,07%, com baixa de 0,38% neste começo de mês - em 2021, a retração está em 7,11%. O giro desta quarta-feira foi de R$ 35,8 bilhões.

Além da melhora observada nos índices de Nova York a partir do meio da tarde, a guinada suave ocorrida no Ibovespa foi favorecida também por relativa acomodação do câmbio, após o dólar à vista ter sido negociado a R$ 5,5376 na máxima do dia - no fechamento, mantinha leve alta de 0,02%, a R$ 5,4861, abaixo da linha psicológica de R$ 5,50, rompida durante esta quarta-feira.

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Na B3, a oscilação das ações de grandes bancos para o positivo (Itaú PN +0,32%, Bradesco PN +0,76%, BB ON +0,16%, Unit do Santander +0,35%) e a acentuação da retomada em Vale ON (+2,82% no fechamento) contribuíram para neutralizar a queda do Ibovespa, que passou a renovar máximas do dia perto do fechamento, chegando a 110.613,82 pontos no melhor momento, com abertura a 110.453,95 e mínima do dia a 108.179,76 pontos, menor nível intradia desde 20 de setembro (107.520,14).

Nesta quarta-feira, o desempenho bem pior do que o esperado para as vendas do varejo em agosto - em queda de 3,1% ante julho, abaixo do piso das estimativas para o mês -, no dia seguinte à leitura negativa sobre a produção industrial, em queda de 0,7% na mesma base de comparação - pior do que a mediana das expectativas -, corroborou a visão de enfraquecimento da atividade econômica doméstica, em meio à progressão da inflação, aqui e no exterior.

O exterior menos favorável, ante temor crescente de que o Fed pode vir a ter de antecipar aumento de juros nos Estados Unidos, algo negativo para os emergentes em geral, pega o Brasil em momento no qual ainda não conseguiu endereçar de forma definida questões essenciais ao desempenho fiscal, como a reforma do IR, a PEC dos Precatórios e o Auxílio Brasil. Além disso, em desdobramento recente, a convocação do ministro Paulo Guedes (Economia) e do presidente do BC, Roberto Campos Neto, a dar explicações ao Congresso sobre contas que mantêm em paraísos fiscais pode acrescentar ruído extra ao cenário.

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Assim, ainda que moderadamente, estas primeiras sessões mantêm outubro a caminho de estender a série negativa iniciada em julho, pelo quarto mês seguido. "Não se vê sequência tão ruim desde 2015, no início do segundo mandato de Dilma (Rousseff)", observa Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, casa que projetava em setembro o Ibovespa a 130 mil pontos no fechamento de 2021, sujeita a revisão periódica em novembro.

"Hoje o Ibovespa dava prosseguimento à tendência negativa, chegando a cair 2%, limitando bem as perdas à tarde (até virar, perto do fim). Por trás dessa queda, havia frustração com a produção industrial brasileira, quando se esperava recuperação em agosto, enquanto na política chegam novos ruídos, agora envolvendo conta offshore do ministro Paulo Guedes", diz Lucas Cintra, sócio da Valor Investimentos.

Na ponta do Ibovespa, destaque para alta de 7,31% em Americanas ON, à frente de Rumo (+7,24%) e de Magazine Luiza (+5,70%). Na face oposta do Ibovespa, destaque para Brakem (-4,49%), Locaweb (-4,46%) e JHSF (-3,26%). Entre as blue chips, Petrobras ON e PN fecharam em baixa, respectivamente, de 2,44% e 2,65%, enquanto, no setor de siderurgia, as perdas do dia chegaram a 2,32% (Gerdau Metalúrgica).