Economia

Com NY e foco na PEC Emergencial, Bolsa fecha em alta de 1,30%

Da Redação ·

Em sessão volátil, o Ibovespa refletiu de perto a votação da PEC Emergencial na Câmara dos Deputados e entre a definição do primeiro turno, na madrugada, e do segundo turno, encaminhado nesta tarde, a reação oscilou do positivo ao negativo, com alguns momentos de susto, como a abertura de brecha para progressão de carreira no funcionalismo público. Além disso, em outra mudança de última hora, o plenário da Câmara derrubou dispositivo da PEC que daria mais flexibilidade ao governo na gestão do Orçamento, ao aprovar destaque do PDT que retira do texto a possibilidade de desvinculação de receitas hoje carimbadas para órgãos, fundos ou despesas específicas.

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Assim, a princípio, frustrava-se a percepção inicial de que a PEC passaria incólume pela Câmara, exatamente conforme havia sido aprovada no Senado, sem desidratações adicionais. Ontem, prevalecia a expectativa de que não seria levada adiante a intenção do presidente Jair Bolsonaro de preservar categorias do funcionalismo, especialmente as ligadas à segurança pública. Ao final, entre idas e vindas, o Ibovespa conseguiu mostrar bom ganho de 1,30%, aos 112.776,49 pontos, tendo oscilado entre mínima de 109.998,86 e máxima de 112.928,14 pontos, com giro financeiro a R$ 46,4 bilhões. Na semana, o índice da B3 cede 2,11%, colocando os ganhos do mês a 2,49% - em 2021, perde 5,24%.

"O Ibovespa chegou a cair mais de 1% com a notícia de que o governo discutiu acordo para diminuir a potência fiscal da PEC Emergencial, permitindo a promoção de servidores quando a cláusula de calamidade estiver acionada", observa Júlia Aquino, especialista da Rico Investimentos.

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A rejeição de destaque do PT manteve na PEC Emergencial os gatilhos de congelamento de salário, o que contribuiu para melhora do sentimento a partir do meio da tarde, assim como o bom desempenho dos mercados de Nova York, que estenderam ganhos após nova acomodação dos rendimentos dos Treasuries, na sequência de volumoso leilão de T-notes de 10 anos, bem como pela aprovação, na Câmara dos Representantes, do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, que será sancionado pelo presidente Joe Biden na sexta-feira.

Com a conclusão da tramitação do pacote, os índices de Wall Street ganharam impulso, chegando a levar consigo o Nasdaq, enquanto os juros longos dos EUA acentuavam movimento de queda - ao fim, o Dow Jones mostrava novo recorde de fechamento. Pegando carona no exterior positivo, o Ibovespa foi à máxima do dia, chegando a avançar 1,43%, no pico desta quarta-feira. "Um relatório de inflação moderado (divulgado hoje) e forte demanda nos próximos leilões de títulos do Tesouro podem significar para o Fed uma reunião de política monetária tranquila na próxima semana", aponta em nota Edward Moya, analista da OANDA em Nova York.

No Brasil, "o mercado passou o dia com um olho no gato e outro no peixe, é preciso ver como ficará a PEC ao final: há muito desencontro, o que dificulta a avaliação de qual será o efeito de tudo isso", diz Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. "Acho que o saldo final é bastante positivo. Foram necessárias algumas concessões, mas que mantiveram a estrutura fiscal intocada", diz o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo. "Temos a perspectiva agora de que a partir de 2022 a regra do teto volte a ser respeitada, já que a PEC cria institucionalidade de respeito ao teto."

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Entre os segmentos do Ibovespa, destaque negativo nesta sessão para mineração e siderurgia. "Nesta quarta-feira, os futuros do minério de ferro na China caíram para o menor nível em quatro semanas, pressionados por medidas mais duras contra poluição no principal polo siderúrgico de Tangshan, além de alívio com preocupações quanto à oferta da matéria-prima", diz Júlia Aquino, da Rico. Assim, Vale ON fechou em baixa de 1,54%, com as perdas no setor de siderurgia chegando a 3,22% (Usiminas) no encerramento.

Destaque positivo para utilities (Cemig +4,84%), bancos (BB ON +3,14%) e Petrobras (ON +4,21%, PN +3,47%), com o petróleo, que também fechou em alta após sessão volátil. Na ponta do Ibovespa, Embraer subiu 11,99%, à frente de Via Varejo (+10,29%) e Gol (+9,92%). No lado oposto, Suzano cedeu 5,46%, Marfrig, 4,83%, e Totvs, 4,74%.